STF amplia análise sobre conduta de André Mendonça após novo envio de informações por Dino

STF amplia análise sobre conduta de André Mendonça após novo envio de informações por Dino
STF investiga Mendonça

A apuração interna no Supremo Tribunal Federal sobre a atuação de André Mendonça ganha novos elementos às vésperas de uma análise prevista para 23 de setembro. As informações remetidas por Flávio Dino incluem contratos do Instituto Iter com entes públicos paulistas e um encontro de Mendonça com Daniel Vorcaro em 2025.

Destaques

  • Dino enviou novos elementos ao STF envolvendo contratos entre o Instituto Iter, ex-sócio André Mendonça, e o município e estado de São Paulo, incluindo um acordo de R$ 1,63 milhão.
  • A inclusão dos dados ocorre próximo ao julgamento sobre Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, com menção a reunião entre Mendonça e o ex-dono do Banco Master em 14 de março de 2025.
  • O envio amplia a pressão institucional sobre a análise do STF em 23 de setembro, destacando possíveis vínculos entre relações privadas, contratos públicos e decisões judiciais.

Novos elementos enviados ao plenário

Como informou o InfoMoney Mercados, Flávio Dino encaminhou nesta terça-feira (15) ao presidente do STF, Edson Fachin, uma nova manifestação para que os dados sejam incorporados ao procedimento que examina a conduta de André Mendonça. O pedido ocorre horas antes do julgamento envolvendo Alexandre de Moraes e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.

Os pontos citados por Dino surgem no âmbito de uma ação sob sua relatoria sobre regras para cemitérios privados. Nesse caso, o Ministério Público de São Paulo apura possíveis irregularidades na concessão desses serviços e um eventual vínculo entre a concessionária Cortel e o Banco Master.

Dino destaca que o Instituto Iter, do qual Mendonça foi sócio até 3 de setembro, mantém relações contratuais remuneradas com o município de São Paulo, parte da ação sobre os cemitérios. O ministro também menciona um contrato de R$ 1,63 milhão entre o instituto e a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo para serviços de formação e gestão educacional.

Dino afirma que os fatos precisam ser esclarecidos, mas ressalta que eles não demonstram, por si só, interferência externa nas decisões de Mendonça.

Impacto para o caso e contexto institucional

Dino também cita uma reunião entre Mendonça e Vorcaro em 14 de março de 2025. O gabinete de Mendonça confirma o encontro e afirma que a conversa trata da Suspensão de Tutela Provisória 976, sobre créditos de precatórios de interesse do Banco Master.

Segundo o gabinete, a posição posterior de Mendonça no processo é contrária ao interesse defendido pelo banqueiro. A equipe do ministro também ressalta que, quando a reunião ocorre, o Banco Master ainda não é alvo das investigações posteriormente conduzidas por Mendonça.

O envio das informações amplia a pressão institucional em torno da análise marcada para 23 de setembro e adiciona novos pontos de verificação sobre potenciais conexões entre relações privadas, contratos públicos e processos em tramitação no STF.

Em nossa reportagem anterior sobre a crise no STF e seus impactos na economia, destacamos a avaliação de que o ambiente de instabilidade institucional deteriora a confiança e a percepção de investidores, com aumento de imprevisibilidade. Também apontamos que esse ruído pode se traduzir em maior aversão a risco e volatilidade nos ativos domésticos, ao mesmo tempo em que o governo reforça o discurso de responsabilidade fiscal.

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