Banco de Portugal perde vice-governador no fim de outubro
Luís Máximo dos Santos deixa a administração do Banco de Portugal no final de outubro, encerrando um percurso de mais de oito anos como vice-governador e administrador do banco central. A saída ocorre depois de ter tido um papel central em matérias de resolução bancária e na gestão de dossiês sensíveis como o do Novo Banco.
Destaques
- Luís Máximo dos Santos, vice-governador do Banco de Portugal, encerra funções a 31 de outubro após integrar o Conselho de Administração desde 2016.
- A saída impacta os departamentos jurídico, de resolução e sancionatório do Banco de Portugal, e as presidências do Fundo de Garantia de Depósitos e Fundo de Resolução.
- Máximo dos Santos teve intervenção direta no Novo Banco, incluindo a recapitalização de 3.405 milhões de euros pelo Fundo de Resolução e a venda ao grupo BPCE concluída em abril.
Saída do vice-governador e fim de mandato
Como noticiou o Jornal de Negócios, citando fonte oficial do Banco de Portugal, Luís Máximo dos Santos cessa funções em 31 de outubro. O banco central não indica o motivo da saída do responsável, que integra o Conselho de Administração desde junho de 2016.No Banco de Portugal, Máximo dos Santos é responsável pelo departamento jurídico, pelo departamento de resolução e pelo departamento de averiguação e ação sancionatória. Acumula também a presidência do Fundo de Garantia de Depósitos e do Fundo de Resolução, entidade encarregada de intervenções em processos de resgate bancário.
Ao longo do mandato, o gestor acompanha três governações no supervisor, sob Carlos Costa, Mário Centeno e o atual governador, Álvaro Santos Pereira. A sua saída representa uma mudança relevante numa das áreas mais sensíveis da supervisão e resolução financeira em Portugal.
Peso no dossiê Novo Banco e percurso no setor
Nos últimos anos, Luís Máximo dos Santos tem forte intervenção nas decisões ligadas ao dossiê Novo Banco, criado a partir dos ativos do BES na resolução de agosto de 2014. Esse acompanhamento ganha particular relevo devido ao acordo de recapitalização assegurado pelo Fundo de Resolução, que injeta 3.405 milhões de euros no Novo Banco e alimenta polémicas políticas e mediáticas pelo uso de dinheiro público.O Fundo de Resolução mantém ainda uma posição acionista no Novo Banco até à venda da participação ao grupo francês BPCE, concluída em abril passado. Essa operação fecha uma etapa importante num processo em que Máximo dos Santos tem intervenção direta enquanto responsável da entidade de resolução bancária.
Nascido em 1961, licenciado e mestre em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, Máximo dos Santos é funcionário do Banco de Portugal desde 1992. Antes de entrar na administração do supervisor, preside ao Banco Espírito Santo após a resolução, entre 2014 e 2016, e à Comissão Liquidatária do Banco Privado Português, entre 2010 e 2016, por designação judicial sob proposta do banco central.
A possível saída da Fosun do capital do BCP reacendeu, como já tínhamos noticiado, o debate sobre uma eventual entrada minoritária do Estado no banco. No nosso artigo anterior, explicámos que o Governo estaria a avaliar a compra de uma participação inferior a 5% para conter um maior peso de capital estrangeiro na banca portuguesa, num contexto em que o BCP é visto como ativo estratégico pela sua relevância no sistema financeiro e por ser o único banco cotado em Lisboa.
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