José Antonio  Gastelum

Renault avisa que pode cortar produção na Europa sem moratória nas metas de carbono

Renault avisa que pode cortar produção na Europa sem moratória nas metas de carbono
Renault pode cortar produção

A Renault alerta para o risco de uma redução significativa da produção europeia se a União Europeia mantiver inalteradas as metas de emissões de carbono previstas para 2030. O aviso surge num momento de crescente pressão sobre a indústria automóvel europeia, que enfrenta simultaneamente exigências regulatórias e concorrência acrescida dos fabricantes chineses.

Destaques

  • François Provost, CEO da Renault, alerta que terá de cortar 300.000 veículos na produção europeia se Bruxelas não flexibilizar as metas de emissões para 2030.
  • As metas comunitárias exigem, até 2030, reduções de 55% nas emissões médias de automóveis de passageiros e 50% em carrinhas face aos níveis de 2021.
  • O possível corte de produção amplia a pressão do setor automóvel europeu sobre as autoridades e ocorre num contexto de forte concorrência chinesa.

Pressão regulatória e plano de produção

Como noticiou o Jornal de Negócios, o presidente executivo da Renault, François Provost, afirma esta terça-feira que terá de reduzir a produção do grupo na Europa em 300.000 veículos se Bruxelas não flexibilizar as metas de emissões de carbono fixadas para 2030.

Na Cimeira Automóvel de Paris, em França, o gestor diz estar preocupado com a possibilidade de, dentro de um ano, ter de propor ao conselho de administração a eliminação de modelos e o corte da produção nessa dimensão. A referência incide sobre a regulamentação comunitária que exige, até 2030, uma redução de 55% nas emissões médias de carbono dos automóveis novos de passageiros vendidos por cada fabricante e de 50% nas carrinhas, face aos níveis de 2021.

Impacto no setor automóvel europeu

O aviso da Renault reforça a pressão do setor automóvel sobre Bruxelas numa fase em que os fabricantes europeus procuram maior margem de adaptação às metas ambientais. Um corte desta dimensão na produção teria implicações relevantes para a atividade industrial do grupo na Europa e para a oferta de modelos no mercado regional.

François Provost enquadra ainda o risco regulatório num contexto de concorrência intensa dos fabricantes chineses. Na sexta-feira, a Associação dos Fabricantes Europeus de Automóveis, ACEA, saudou o anúncio de um acordo provisório destinado a corrigir desequilíbrios comerciais entre a União Europeia e a China.

Na nossa publicação anterior sobre as críticas da ACAP ao OE2027, destacámos o envelhecimento do parque automóvel português e a pressão do setor por medidas fiscais e ambientais que acelerem a descarbonização. O texto sublinhou a proposta de incentivos ao abate de 40 mil veículos antigos e a necessidade de regras mais estáveis para apoiar a renovação da frota e a transição para veículos menos poluentes.

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