Financiamento bancário a setores de risco florestal mantém pressão sobre biodiversidade

Financiamento bancário a setores de risco florestal mantém pressão sobre biodiversidade
Banco pressiona biodiversidade

O financiamento internacional a empresas expostas a riscos elevados para a biodiversidade continua a crescer nas regiões de floresta tropical, num momento em que se aproxima uma nova ronda de negociações globais sobre proteção da natureza. Entre 2020 e 2025, os bancos concederam 595 mil milhões de dólares a grupos ligados a matérias-primas agrícolas, florestais e mineração, segundo uma análise divulgada esta semana.

Destaques

  • O relatório Banking on Biodiversity Collapse 2026 mostra que $351 mil milhões financiaram empresas agrícolas/florestais e $244 mil milhões foram para mineração em regiões tropicais.
  • Entre 2016 e 2025, o financiamento anual para empresas agrícolas com risco florestal cresceu 71%, de $37,9 mil milhões para $64,7 mil milhões, enquanto o crédito à mineração subiu 55%, para $36,7 mil milhões.
  • As políticas bancárias para matérias-primas agrícolas obtêm pontuação média de apenas 25%, revelando falhas em salvaguardas de biodiversidade e direitos humanos antes da COP17 da ONU.

Relatório alarga foco à mineração e mostra subida do crédito

Como noticiou o Jornal de Negócios, o relatório Banking on Biodiversity Collapse 2026, divulgado esta semana pela coligação Forests & Finance, estima que 351 mil milhões de dólares do total tenham sido destinados a empresas de matérias-primas agrícolas e florestais, enquanto 244 mil milhões de dólares foram para a exploração mineira.

O estudo abrange zonas de floresta tropical da América do Sul, do Sudeste Asiático e da África Central e Ocidental. Pela primeira vez, inclui o financiamento à extração de minerais e metais como níquel, lítio, cobre e cobalto, cuja procura aumenta com a transição energética e a expansão das infraestruturas de inteligência artificial, e passa também a incluir café e cacau.

Os autores ressalvam que o volume identificado não significa que todo o crédito tenha financiado diretamente a desflorestação. Ainda assim, a análise mostra que o financiamento anual a empresas de matérias-primas agrícolas associadas a riscos florestais sobe 71% entre 2016 e 2025, de 37,9 mil milhões para 64,7 mil milhões de dólares, enquanto na mineração os empréstimos e a colocação de títulos crescem 55%, de 23,7 mil milhões para 36,7 mil milhões de dólares.

Pressão regulatória aumenta antes da COP17

A investigação conclui que a procura de minerais necessários às baterias e a tecnologias de baixo carbono pode agravar a pressão sobre ecossistemas que deveriam beneficiar da resposta à crise climática. Os autores associam a expansão mineira à destruição de habitats e a conflitos locais, ao mesmo tempo que apontam falhas persistentes nas salvaguardas bancárias.

No Brasil, a coligação refere a continuidade do financiamento a grandes comerciantes de soja depois do enfraquecimento da moratória destinada a travar a expansão desta cultura sobre a Amazónia. Na Indonésia, destaca o apoio à produção de óleo de palma e pasta de papel associada à destruição de florestas e à drenagem de turfeiras, aumentando a vulnerabilidade a incêndios e inundações.

A avaliação das políticas bancárias aplicáveis a matérias-primas agrícolas com risco florestal atribui uma pontuação média de apenas 25%, sinalizando insuficiências nas salvaguardas relativas à biodiversidade e aos direitos humanos. A divulgação do estudo acontece poucos dias antes da COP17 das Nações Unidas sobre biodiversidade, que começa a 19 de outubro na Arménia, onde será avaliada a aplicação do acordo de Kunming-Montreal e onde a coligação defende regras mais exigentes, maior transparência e responsabilização das instituições financeiras.

Na nossa publicação, acompanhámos a nova fase das parcerias público-privadas (PPP) em Portugal e o impacto das exigências de digitalização, cibersegurança e transição energética na estrutura dos contratos. O texto sublinhou que a previsibilidade e a estabilidade contratual serão decisivas para atrair capital privado e destravar investimentos em áreas como portos, rodovias e ferrovia.

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