José Antonio  Gastelum

Portugal avança para regras europeias sobre aceitação de numerário sem sanções nacionais em vigor

Portugal avança para regras europeias sobre aceitação de numerário sem sanções nacionais em vigor
Novas regras para numerário

Portugal mantém a obrigação legal de aceitar pagamentos em numerário, mas o regime atual não prevê sanções específicas para recusas injustificadas. O tema ganha relevância no debate sobre os meios de pagamento nas bilheteiras da Transtejo Soflusa e surge numa fase em que a legislação europeia nesta matéria está ainda a ser preparada.

Destaques

  • O Banco de Portugal afirmou que não existe penalização legal nacional para a recusa injustificada de numerário, apesar do dever de aceitação de euros.
  • Está em preparação legislação europeia que obrigará à aceitação de numerário e introduzirá sanções para entidades incumpridoras, alterando o enquadramento regulatório português.
  • A discussão regulatória sobre aceitação de dinheiro físico afeta diretamente os setores de transportes, retalho e serviços presenciais em Portugal.

Enquadramento legal e resposta do Banco de Portugal

Como noticia o Jornal de Negócios, citando o Público, o Banco de Portugal indica numa resposta enviada à Assembleia da República que a lei em vigor não integra uma previsão sancionatória específica para a recusa injustificada de numerário. A posição da autoridade surge no contexto das alterações aos pagamentos nas bilheteiras da Transtejo Soflusa.

Segundo o banco central, a legislação nacional prevê o dever de aceitação de moedas e notas em euros, mas não estabelece qualquer penalização para entidades que recusem esses pagamentos sem justificação plausível. A instituição acrescenta que o legislador português optou por não criar uma sanção para esse tipo de incumprimento.

O Banco de Portugal sustenta ainda que não dispõe de base legal para agir de forma sancionatória nestes casos, apesar de acompanhar o tema de perto no plano nacional e europeu.

Pressão regulatória europeia e impacto no sistema de pagamentos

Ao mesmo tempo, está a ser trabalhada legislação europeia destinada a tornar obrigatória a aceitação de numerário e a prever sanções para os incumpridores. Essa evolução pode vir a alterar o enquadramento regulatório aplicado em Portugal e reforçar a proteção dos consumidores que dependem de notas e moedas para efetuar pagamentos.

Na resposta ao parlamento, a autoridade liderada por Álvaro Santos Pereira defende que a possibilidade de usar numerário é relevante para a liberdade de escolha dos meios de pagamento, para a inclusão financeira, para a resiliência dos sistemas de pagamento e para a confiança na moeda. Neste quadro, a discussão regulatória ganha peso para operadores de transporte, retalho e serviços presenciais, setores em que a aceitação de dinheiro físico continua a ter impacto direto no acesso dos clientes.

No nosso artigo anterior sobre a importância do numerário em Portugal, destacámos que a grande maioria dos consumidores quer manter a possibilidade de pagar em dinheiro e que o apagão de abril de 2025 reforçou essa perceção. O mesmo levantamento apontou fragilidades no acesso ao numerário, com relatos de caixas automáticas sem serviço ou sem dinheiro e situações em que os estabelecimentos recusaram pagamentos em notas e moedas.

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