Distribuidoras de combustíveis ficam para trás no rali pós-eleitoral, mas BBI vê valor relativo em Ultrapar e Vibra

Distribuidoras de combustíveis ficam para trás no rali pós-eleitoral, mas BBI vê valor relativo em Ultrapar e Vibra
Ultrapar e Vibra em foco

O rali das ações brasileiras após o primeiro turno da eleição presidencial favorece sobretudo setores mais sensíveis à queda dos juros, enquanto as distribuidoras de combustíveis ficam à margem desse movimento. Para o Bradesco BBI, essa defasagem torna Ultrapar e Vibra mais atraentes em termos relativos, à medida que o mercado reprecifica ativos e pode voltar a priorizar fundamentos.

Destaques

  • Desde o último pregão antes do primeiro turno, múltiplos P/L para oito setores sensíveis aos juros subiram 10% a 29%, enquanto os das distribuidoras ficaram estáveis ou recuaram.
  • Ultrapar apresenta P/L projetado de 13,6 vezes caindo para 10,5 vezes com margem de R$ 250/m³; Vibra cai de 10,7 para 10,2 vezes ou de 8,4 para 7,9 vezes no mesmo cenário.
  • BBI aponta que redução da informalidade e preços internacionais mais altos podem impulsionar revisões positivas de lucro e margens das distribuidoras Ultrapar e Vibra nos próximos trimestres.

Reprecificação pós-eleitoral e avaliação do BBI

Como noticiou o InfoMoney Mercados, relatório do Bradesco BBI assinado pelos analistas Vicente Falanga, Gustavo Sadka e Leandro Neto avalia que o desempenho inferior das distribuidoras é em parte justificável, porque o trade eleitoral beneficia empresas com maior sensibilidade à redução das taxas de juros e do custo de capital próprio.

Na comparação feita pelo banco desde o último pregão anterior ao primeiro turno, oito setores sensíveis aos juros registram expansão média de 10% a 29% nos múltiplos preço/lucro projetados para 2027. No caso das distribuidoras, os indicadores permanecem estáveis ou recuam, num contraste que sustenta a leitura de que o segmento não participa da mesma intensidade da valorização observada em outras áreas da bolsa.

O P/L projetado da Ultrapar permanece em 13,6 vezes e cai para 10,5 vezes sob a premissa de margem de R$ 250 por metro cúbico. Na Vibra, o múltiplo recua de 10,7 para 10,2 vezes, ou de 8,4 para 7,9 vezes com a mesma premissa, o que, na visão do banco, amplia a atratividade relativa das duas ações.

Fundamentos do setor seguem no radar

O BBI espera que, à medida que a euforia inicial ligada às eleições diminua, os investidores voltem a dar mais atenção aos fundamentos específicos de cada empresa. Um dos fatores citados é o combate à informalidade no mercado de combustíveis, que pode abrir espaço para revisões positivas nas estimativas de lucro ao longo do tempo.

Outro suporte para a visão construtiva vem do cenário internacional. Segundo o banco, preços mais elevados dos combustíveis no exterior, em meio a conflitos geopolíticos, podem criar condições favoráveis para as margens das distribuidoras nos próximos trimestres.

Na avaliação do BBI, a combinação desses fatores reforça a perspectiva positiva para Ultrapar e Vibra, mesmo com as ações ainda sem acompanhar a valorização de outros segmentos do mercado brasileiro.

Na nossa reportagem anterior sobre o rali pós-primeiro turno na bolsa brasileira, explicámos por que o Bradesco BBI via espaço para a reprecificação continuar, apoiada por juros menores, menor risco fiscal e possíveis revisões positivas de lucros. Também destacámos a rotação setorial favorecendo ações ligadas ao ciclo doméstico e a perspectiva de retorno do investidor local, apesar do alerta para sinais de sobrecompra e chance de realização no curto prazo.

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