Estrangeiros elevam compra líquida de dólar na B3 a recorde pós-eleição

Estrangeiros elevam compra líquida de dólar na B3 a recorde pós-eleição
Recorde na compra de dólar

No primeiro pregão após o segundo turno da eleição presidencial, investidores estrangeiros registram compra líquida de US$ 6,84 bilhões em derivativos de dólar negociados na B3. O movimento supera o recorde anterior em cerca de 5,7% e sinaliza um forte reposicionamento no mercado de câmbio depois da votação.

Destaques

  • Estrangeiros registraram na B3, na segunda-feira (26), sua maior compra líquida de dólar em contratos derivativos desde julho de 2022.
  • Na segunda-feira pós-eleição, o dólar subiu 8,2%, fechando a R$ 5,40, a maior alta em 23 anos e sinalizando reposicionamento cambial.
  • Contratos de dólar cheio (DOL) e minidólar (WDO) responderam juntos por aproximadamente 99% da compra líquida efetuada por estrangeiros no pregão.

Fluxo recorde em derivativos cambiais

Como mostrou o InfoMoney, com base em dados da B3 compilados por traders, a compra líquida de estrangeiros na segunda-feira (26) é a maior em um único dia ao menos desde julho de 2022. O cálculo considera os contratos de dólar futuro cheio (DOL), minidólar (WDO) e cupom cambial (DDI).

Para André Moraes, analista, fundador e CEO da Trade ao Vivo e chairman da BFR Investimentos, o movimento representa, neste primeiro momento, uma reversão de parte das posições construídas antes da votação decisiva. Segundo ele, trata-se, por enquanto, de um ajuste concentrado no período imediatamente posterior à eleição.

A maior parcela da movimentação ocorre no contrato cheio de dólar. O DOL responde por cerca de 61% do total, enquanto o minidólar concentra outros 38%, de forma que os dois contratos somam praticamente 99% da compra líquida de dólares realizada pelos estrangeiros no pregão.

Impacto no câmbio e leitura do mercado

Na segunda-feira pós-eleição, a moeda norte-americana fecha em alta de 8,2%, a R$ 5,40, na maior disparada em 23 anos. O volume das operações reforça a leitura de um reposicionamento relevante no mercado de câmbio após o resultado eleitoral.

Os números, porém, não permitem determinar quanto dessa compra corresponde a uma aposta direcional na alta do dólar, ao encerramento de operações anteriores ou à busca por proteção cambial. Ainda assim, o novo recorde fica acima da máxima anterior, registrada em abril de 2025, quando o dólar avançou 3,72% em meio à guerra comercial entre U.S. e China.

Na nossa matéria anterior sobre o minidólar WDOX26, destacámos que o contrato começou a sessão sob volatilidade puxada pela cautela eleitoral no Brasil e pelo fortalecimento global do dólar. Também indicámos que, apesar do fluxo cambial positivo, a continuidade da recuperação dependeria do rompimento de resistências com volume, enquanto a perda de suportes poderia reacender a pressão vendedora.

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