Petróleo recua enquanto mercados reduzem prêmio de risco do Oriente Médio
Os preços do petróleo caíram ainda mais na terça-feira, com os investidores dando maior peso aos sinais de possíveis negociações entre EUA e Irã do que às ameaças contínuas à navegação no Oriente Médio. O recuo estendeu uma reversão acentuada em relação à alta da semana passada, acima de US$ 100 por barril.
Destaques
- O Brent caiu para US$ 83,92, enquanto o WTI atingiu US$ 80,78.
- As esperanças diplomáticas reduziram o prêmio de oferta imediata.
- O tráfego em Ormuz permanece muito abaixo dos níveis normais.
- Os carregamentos de petróleo saudita estão sendo redirecionados pelo Egito.
- Novos ataques podem reverter rapidamente o declínio.
Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.
A Bloomberg informou que Washington e Teerã continuaram a evitar ataques enquanto o presidente Donald Trump dava outra chance à diplomacia. O petróleo Brent caiu 1,66%, para US$ 83,92 o barril, enquanto o West Texas Intermediate recuou 1,37%, para US$ 80,78, à medida que as expectativas de desescalada reduziram o prêmio de risco geopolítico embutido nos preços do petróleo.
Diplomacia impulsiona uma rápida reversão do mercado
O petróleo oscilou bruscamente ao longo de julho. Os preços subiram inicialmente à medida que os combates entre os Estados Unidos e o Irã se intensificaram e os ataques no Mar Vermelho aumentaram os temores de uma interrupção mais ampla nas exportações. O Brent ultrapassou brevemente os US$ 100 antes de inverter o curso quando ambos os lados interromperam os ataques e os contatos diplomáticos ganharam força.
Trump indicou que um acordo continua sendo possível, embora a extensão das negociações formais não esteja clara. O Irã também suspendeu as retaliações contra bases dos EUA na região, reduzindo o risco imediato de uma nova rodada de ataques.
A mudança de tom desencadeou vendas pesadas na segunda-feira, quando o Brent perdeu 8,7%, seu declínio mais acentuado em mais de três meses. O benchmark continuou em queda na terça-feira, com os traders reduzindo posições montadas em torno da perspectiva de interrupção prolongada da oferta.
Os riscos de navegação não desapareceram
O mercado continua exposto a uma volatilidade renovada porque o tráfego pelo Estreito de Ormuz ainda não voltou ao normal. Apenas quatro embarcações foram observadas cruzando na segunda-feira, de acordo com dados da Kpler, embora navios adicionais possam ter viajado com sistemas de rastreamento desativados.
Irã e Omã estão discutindo medidas para restaurar a navegação através da artéria principal que liga o Golfo Pérsico aos mercados globais. Antes do conflito, a rota movimentava cerca de um quinto dos fluxos diários globais de petróleo.
Os padrões de navegação também estão mudando em outros lugares. Pelo menos oito superpetroleiros estavam indo em direção ao terminal de Sidi Kerir, no Egito, para coletar petróleo bruto saudita, já que preocupações de segurança reduziram a atividade em torno das instalações de exportação da Arábia Saudita no Mar Vermelho. Alguns armadores evitaram a região devido aos riscos de ataque e à cobertura de seguro mais restrita.
Perspectiva de oferta volta ao foco
O menor risco geopolítico está voltando a atenção para os fundamentos do mercado. As exportações de petróleo do Cazaquistão foram retomadas no terminal do Consórcio do Oleoduto Cáspio após interrupções relacionadas a drones, aumentando as expectativas de melhora na oferta.
A Macquarie estima que um acordo de paz poderia deixar o mercado com excesso de oferta em cerca de 2 milhões de barris por dia no quarto trimestre. Essa possibilidade é importante para produtores, inflação e bancos centrais, mas a perspectiva ainda depende de a diplomacia se manter e as principais rotas de navegação serem reabertas.
Anteriormente, informamos que Trump sinaliza novo esforço para acordo com o Irã em meio à calma regional.
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