GPA amplia eficiência operacional, mas prejuízo em operações continuadas soma R$ 220 milhões no trimestre
Após avançar no corte de custos e na reorganização do portefólio, o GPA apresenta prejuízo líquido de R$ 220 milhões nas operações continuadas no terceiro trimestre deste ano. O desempenho operacional melhora em rentabilidade, mas a queda das vendas e os efeitos de operações descontinuadas mantêm pressão sobre o resultado consolidado.
Destaques
- GPA registra prejuízo das operações continuadas de R$ 220 milhões no trimestre, revertendo lucro de R$ 142 milhões em igual período de 2023.
- Ebitda ajustado cresce 16,9% para R$ 482 milhões e margem bruta atinge 30,7%, impulsionados pela saída de negócios menos rentáveis e controle de despesas.
- Receita líquida cai 9,6% para R$ 4,1 bilhões, mas homologação da recuperação extrajudicial pode reduzir endividamento líquido em 67% para R$ 1,246 bilhão.
Resultados trimestrais e avanço do corte de despesas
Segundo o InfoMoney Mercados, o Grupo Pão de Açúcar registra uma reversão face ao lucro de R$ 142 milhões apurado no mesmo período do ano passado, embora a comparação seja afetada por um crédito tributário extraordinário de R$ 418 milhões reconhecido no terceiro trimestre de 2025.Sem esse efeito, o prejuízo das operações continuadas recua 20,3% na comparação anual. Já o prejuízo consolidado, incluindo operações descontinuadas, atinge R$ 731 milhões, contra lucro de R$ 134 milhões um ano antes, sendo R$ 511 milhões ligados a operações descontinuadas, sobretudo por uma provisão de R$ 467 milhões relacionada com a arbitragem com a Casas Bahia.
Ao mesmo tempo, o Ebitda ajustado cresce 16,9%, para R$ 482 milhões, com expansão de 2,7 pontos percentuais na margem, para 11,7%. A margem bruta sobe de 27,6% para 30,7%, apoiada pela saída de negócios menos rentáveis e por alterações na sistemática do ICMS.
Em 2026, o GPA já captura R$ 365 milhões em redução de despesas, o equivalente a 88% da meta anual. As poupanças resultam principalmente de cortes de pessoal, renegociação de contratos e ganhos de eficiência em tecnologia e logística.
Vendas fracas e desalavancagem após recuperação extrajudicial
A recuperação das margens ainda não chega ao topo da linha de receitas. A receita líquida recua 9,6%, para R$ 4,1 mil milhões, enquanto as vendas em mesmas lojas caem 1,4%, pressionadas por dificuldades de abastecimento e por um consumo mais fraco."O nosso grande desafio é voltar a crescer a receita", afirma o presidente do GPA, Alexandre Santoro, em entrevista à Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Segundo o executivo, a companhia ainda tem espaço para ganhar eficiência, mas precisa recuperar participação de mercado.
A homologação da recuperação extrajudicial, em outubro, abre caminho para reduzir o endividamento. Considerando os efeitos do plano e a destinação de R$ 293 milhões da venda da participação do GPA na financeira FIC para amortização da dívida, o endividamento líquido cairia 67%, de R$ 3,755 mil milhões para R$ 1,246 mil milhões, em base pro forma, enquanto a alavancagem passaria de 3,7 para 1,2 vez.
Em nosso artigo anterior sobre a pressão dos juros futuros nas ações de varejo e consumo, mostramos como a alta da curva de DI, em meio à aversão a risco, intensificou as quedas de papéis do setor, com destaque para Magazine Luiza e Casas Bahia. Também explicamos que o movimento foi agravado por fatores externos (como a reação do mercado aos dados de inflação nos EUA) e pela incerteza política doméstica, aumentando a volatilidade e a sensibilidade do varejo a juros.
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