Goldman Sachs vê espaço para alta do real, mas aponta maior risco cambial no Brasil

Goldman Sachs vê espaço para alta do real, mas aponta maior risco cambial no Brasil
Risco cambial em alta

A aproximação do segundo turno presidencial no Brasil aumenta a perceção de risco no mercado cambial e mantém o real exposto a maior volatilidade no curto prazo. Embora a moeda ainda possa valorizar se o desfecho eleitoral confirmar o cenário já incorporado pelos investidores, as dúvidas fiscais e a disputa mais equilibrada ampliam a incerteza pós-eleitoral.

Destaques

  • O real avançou cerca de 4% frente ao dólar após o primeiro turno, superando movimentos históricos em eleições anteriores, segundo o Goldman Sachs.
  • O banco aponta aumento da volatilidade esperada no mercado de opções devido à disputa eleitoral acirrada, com diferença entre zero e 2,5 pontos percentuais nas pesquisas.
  • Medidas como ampliação de benefícios sociais e subsídios ao diesel agravaram o quadro fiscal, elevando o risco cambial mesmo após as eleições.

Cenário eleitoral eleva volatilidade esperada

Conforme noticiou o InfoMoney Mercados, uma análise divulgada esta semana pelo Goldman Sachs indica que o real ainda pode subir após a eleição, mas que o mercado passa a atribuir maior probabilidade a movimentos bruscos da moeda nos próximos dias.

Segundo o banco, o real registou uma apreciação forte depois do primeiro turno. Em 5 de outubro, a moeda avançou cerca de 4% face ao dólar, num movimento considerado excecional em termos históricos e mais intenso do que o observado em eleições anteriores.

Os estrategas do Goldman Sachs observam, porém, que as oscilações nos juros futuros e no risco-país são ainda mais acentuadas do que as vistas no câmbio. A instituição afirma que a valorização inicial do real foi sustentada pela perceção de uma vantagem confortável do então favorito, mas as sondagens mais recentes passam a mostrar uma disputa muito mais equilibrada contra o presidente Lula, com diferença entre zero e 2,5 pontos percentuais.

Na avaliação do banco, a queda da volatilidade implícita observada logo após o primeiro turno já não parece justificada. Por isso, o mercado de opções passa a incorporar uma oscilação mais expressiva para a moeda brasileira no período imediatamente anterior e posterior à votação.

Incerteza fiscal mantém pressão sobre ativos

O Goldman Sachs considera que a eleição, por si só, não deve encerrar a cautela dos investidores em relação ao Brasil. Mesmo num cenário considerado favorável pelo mercado, a atenção tende a deslocar-se rapidamente para a formação da equipa económica, para anúncios na área orçamental e para eventuais propostas legislativas antes da posse em 2027.

O banco destaca ainda uma deterioração do quadro fiscal nas últimas semanas, associada a medidas como a ampliação de benefícios sociais, a extensão de subsídios ao diesel e programas de crédito subsidiado. Na leitura da instituição, essas iniciativas tornam mais difícil qualquer esforço futuro de consolidação fiscal, independentemente de quem vencer a eleição.

Com uma corrida apertada, dúvidas sobre a trajetória das contas públicas e expectativa por decisões do próximo governo, o real deve permanecer sensível ao noticiário político e económico nas próximas semanas. Para o Goldman Sachs, o resultado do segundo turno representa apenas o início de um período potencialmente turbulento para os ativos brasileiros.

Na nossa matéria anterior sobre o minidólar WDOX26, analisámos como o contrato iniciou a sessão influenciado pela cautela eleitoral no Brasil e pelo fortalecimento global do dólar, com atenção também ao DXY, aos Treasuries e ao fluxo cambial positivo. Também destacámos os principais níveis técnicos de suporte e resistência, indicando que a continuidade do movimento dependeria de rompimentos com volume e de como novas pesquisas eleitorais afetariam o apetite por risco.

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