JPMorgan vê queda adicional limitada para Cyrela e mantém recomendação neutra
Depois de acumular desvalorização de 51% desde o início da queda e de 36,9% no último mês, a Cyrela volta ao centro da atenção de investidores que procuram medir o espaço remanescente para novas perdas. A análise do JPMorgan combina uma leitura histórica de crises anteriores com uma abordagem fundamentalista, e indica cenários distintos para a ação.
Destaques
- JPMorgan projeta possível revisão negativa de 40% a 60% no lucro por ação da Cyrela para 2027, semelhante à crise de 2014-2015.
- Pela avaliação fundamentalista, o preço atual de R$ 17,40 já inclui custo de capital próprio de 18% a 19% e retorno sustentável de 14%, limitando quedas adicionais.
- Cyrela ampliou participação no segmento de baixa renda para 27% dos lançamentos em 2026, aumentando resiliência e rentabilidade em meio à volatilidade do setor.
Cenários de preço e revisões de lucro
Como noticiou o InfoMoney Mercados, o JPMorgan avalia o potencial de queda das ações da Cyrela com base em duas metodologias, uma histórica e outra fundamentalista. Pela ótica histórica, os analistas observam que a empresa passou por revisões negativas nas estimativas de lucro por ação em todos os anos entre 2009 e 2018, com média de cerca de 25%.Num cenário semelhante ao da crise de 2014-2015, o banco projeta uma revisão negativa de 40% a 60% nas estimativas de lucro por ação para 2027. Como as projeções para 2026 já estão em queda de 14%, um novo ciclo baixista de vários anos poderia manter o múltiplo da companhia entre 0,5 vez e 0,8 vez por um período prolongado.
Pela leitura fundamentalista, porém, o banco adota um tom mais construtivo. Segundo essa abordagem, o preço atual da ação, em torno de R$ 17,40, já embute um custo de capital próprio de 18% a 19% e um retorno sobre o patrimônio líquido sustentável de aproximadamente 14%.
Com base no retorno médio sobre o patrimônio líquido da Cyrela desde 2008, de 12%, os analistas calculam valor justo entre R$ 13,50 e R$ 15,50. Nessa visão, o espaço para novas quedas a partir dos níveis atuais aparece como mais limitado.
Exposição à baixa renda e impacto para o setor
Apesar da avaliação de que o papel já reflete parte relevante dos riscos, o JPMorgan mantém recomendação neutra para a Cyrela por não identificar catalisadores de recuperação no curto ou médio prazo. A conclusão sugere que, mesmo com uma tese de queda adicional mais contida na análise fundamentalista, o banco ainda vê limitações para uma reação mais forte da ação.Um dos pontos destacados pelos analistas é a maior resiliência esperada do lucro por ação da companhia em comparação com crises anteriores. Hoje, a Cyrela tem uma participação maior no segmento de baixa renda, que responde por 27% dos lançamentos nos primeiros nove meses de 2026, acima de menos de 10% entre 2014 e 2015.
Além de ampliar a exposição a esse nicho, a companhia opera num contexto em que a rentabilidade dos empreendimentos de baixa renda é superior à observada no passado. Para o setor imobiliário brasileiro, essa mudança reforça a percepção de que a composição do portefólio pode ajudar a atenuar oscilações de resultados em períodos de pressão de mercado.
Na nossa publicação anterior sobre a desaceleração da Cyrela no 3º trimestre, destacámos a queda de lançamentos e vendas no período, com recuo mais acentuado no segmento de alto padrão. Também apontámos a maior resiliência das faixas 2 e 3 do Minha Casa Minha Vida e do médio padrão, sinalizando uma mudança na composição do portefólio que ajuda a contextualizar as discussões atuais sobre riscos, lucros e valuation da incorporadora.
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