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Mas guardámos tudo 🙂.
Justin Sun entrou com um processo contra a World Liberty Financial, uma empresa ligada à família de Donald Trump. O fundador do Tron investiu dezenas de milhões de dólares em projetos de criptografia ligados à Casa Branca, mas acabou enfrentando um congelamento de seus ativos. Isso pode ser um sinal de que a aliança entre um dos mais ativos investidores em criptografia e o presidente dos EUA chegou efetivamente ao fim.
Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.
A ação judicial de Justin Sun foi apresentada em um tribunal federal da Califórnia. De acordo com o fundador do Tron, a equipe do projeto congelou todos os seus tokens WLFI, ameaçou queimá-los sem explicação e retirou-lhe os direitos de voto. Sun diz que tentou resolver a questão diretamente, mas foi recusado, não lhe restando outra alternativa a não ser recorrer ao tribunal.
As somas envolvidas são significativas. Sun investiu inicialmente cerca de US$ 30 milhões na World Liberty Financial e, posteriormente, aumentou sua participação para aproximadamente US$ 75 milhões. De acordo com a Bubblemaps, cerca de 545 milhões de tokens WLFI estão atualmente bloqueados, agora avaliados em cerca de US$ 45 milhões após uma queda de preço - mais de US$ 80 milhões abaixo de sua avaliação anterior.
Mas o conflito não começou ontem. Em 2025, a World Liberty bloqueou uma carteira vinculada à Sun depois que ele movimentou cerca de US$ 9 milhões em tokens WLFI. Desde então, ele acusou publicamente o projeto de incorporar mecanismos de controle ocultos - especificamente, uma função que permite à equipe congelar e efetivamente confiscar tokens de usuários. Em resposta, o projeto chamou essas alegações de "sem fundamento" e disse que está pronto para defender sua posição no tribunal.
A relação entre o empresário e o político remonta a vários anos. Justin Sun começou a apoiar ativamente Donald Trump durante a campanha presidencial. Quando a comunidade de criptografia viu Trump como um candidato com retórica pró-criptografia, Sun se tornou um de seus apoiadores mais expressivos. Ele apoiou publicamente essa agenda e participou de iniciativas de promoção do futuro presidente dos EUA.
Após a vitória de Trump, Sun passou das palavras aos grandes investimentos. Além de apoiar a World Liberty Financial, ele investiu cerca de US$ 100 milhões na memecoin TRUMP - um token diretamente ligado à marca e ao capital político de Donald Trump.
Na verdade, Sun estava apostando em Trump como a figura central de uma nova política de criptografia nos Estados Unidos. Ele investiu em várias moedas e tentou garantir uma posição dentro desse ecossistema, esperando uma parceria de longo prazo.
A lógica da Sun era clara. Antes da eleição, grande parte da comunidade de criptografia apoiou Trump. Muitos participantes do mercado esperavam que, sob sua liderança, os EUA fortaleceriam sua posição no setor e adotariam políticas consistentes a favor das criptomoedas.
As expectativas eram altas. Falava-se em regulamentação clara, em uma reserva nacional de Bitcoin e em transformar os EUA em um centro global de criptografia. Depois de anos de supervisão mais rigorosa, essas promessas foram vistas como uma reversão completa da política.
Na realidade, as mudanças foram muito mais limitadas. Um dos poucos movimentos notáveis foi a libertação de Ross Ulbricht - uma figura há muito considerada simbólica dentro da comunidade Bitcoin. Entretanto, mudanças sistêmicas mais amplas que poderiam remodelar o mercado não se concretizaram. Os EUA não se tornaram um centro global de criptografia, e a ideia de uma reserva de Bitcoin apoiada pelo Estado continua sendo amplamente teórica.
Foi nesse ponto que a posição da Sun começou a se deteriorar. Apesar de seu apoio público a Trump, do envolvimento em suas iniciativas de criptografia e de dezenas de milhões de dólares em investimentos, ele acabou sendo tratado não como um aliado, mas como um investidor problemático.
Formalmente, Sun ainda evita o confronto direto com Trump. Mesmo ao processar a World Liberty Financial, ele enfatiza que continua apoiando o presidente e sua agenda de criptomoedas. Suas críticas não são dirigidas a Trump pessoalmente, mas a "certos indivíduos" dentro do projeto que, segundo ele, estão agindo contra os valores do presidente.
Mas os fatos sugerem o contrário. O maior investidor externo do World Liberty perdeu os direitos de voto, teve seus tokens congelados e agora está buscando proteção legal no tribunal. Para alguém que pretendia fazer parte do ecossistema de criptografia de Trump, isso parece menos uma disputa temporária e mais um sinal claro: seu papel nesse sistema acabou.
É por isso que a história da Sun vai além de um típico conflito corporativo. Ela mostra que mesmo grandes investimentos, lealdade política e apoio público não garantem um lugar no círculo interno de Trump. E, embora Sun já tenha sido um aliado valioso, agora ele parece ser alguém que o sistema está disposto a deixar para trás.