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Mas guardámos tudo 🙂.
O Bitcoin está caindo novamente, e não se trata apenas de notícias ou pânico de mercado. Os investidores agora estão olhando mais ativamente para o mercado de ações e para os próximos IPOs, onde enxergam mais oportunidades de lucro. Como resultado, parte do dinheiro está saindo das criptomoedas, enquanto o Bitcoin ainda só pode sonhar com independência das finanças tradicionais.
Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.
O Bitcoin sofreu mais uma liquidação. Na quarta-feira, seu preço caiu para US$ 65.400, o menor nível desde fevereiro. A queda coincidiu com a força do mercado de ações: o S&P 500 e o Nasdaq 100 atingiram máximas históricas, enquanto o Nikkei 225 do Japão também subiu para um recorde.
Entre os principais motivos para a liquidação estão as liquidações em massa de posições alavancadas e mais uma escalada envolvendo o Irã. Mas a principal razão pode ser mais profunda: investidores estão retirando dinheiro das criptomoedas e direcionando para onde veem mais potencial no momento. Por exemplo, para grandes IPOs, para os quais fundos e investidores privados podem estar liberando capital antecipadamente.
Em resumo, o Bitcoin agora compete não só com o Ethereum ou outras criptomoedas. Ele disputa espaço com o mercado de ações, empresas de tecnologia e listagens que prometem crescimento acelerado aos investidores. Nesse cenário, o BTC se torna menos atraente, especialmente quando seu preço rompe níveis-chave de suporte.
Não existe dinheiro livre ilimitado no mercado. Se um investidor quer participar de uma grande nova oferta, muitas vezes precisa vender outro ativo. Nessas situações, os ativos mais voláteis sofrem pressão primeiro — especialmente as criptomoedas.
É assim que funciona a rotação de capital. O dinheiro não desaparece do mercado; ele migra de uma ideia para outra. Nos últimos anos, o Bitcoin frequentemente se beneficiou do interesse por ativos de risco: investidores compravam junto com ações de tecnologia, startups e outros instrumentos de crescimento. Mas agora o mesmo mecanismo está jogando contra ele.
Quando surgem novas histórias fortes no mercado de ações, alguns investidores começam a preparar capital para elas com antecedência. Eles podem reduzir posições em criptomoedas, realizar lucros ou simplesmente diminuir o risco em seus portfólios. Para o Bitcoin, isso significa menos compradores e mais pressão sobre o preço.
Mas quais eventos estão distraindo os investidores? A principal expectativa agora não é por uma listagem, mas por vários grandes IPOs ao mesmo tempo. São empresas que já têm forte demanda, altas expectativas e uma narrativa clara de crescimento ao redor delas.
O maior exemplo é a SpaceX. Segundo a Reuters, a empresa de Elon Musk pode captar cerca de US$ 75 bilhões e abrir capital com uma avaliação de aproximadamente US$ 1,75 trilhão. Se isso acontecer, será a maior listagem da história, superando o IPO da Saudi Aramco, que levantou US$ 25,6 bilhões em 2019.
Outro candidato é a OpenAI. A empresa por trás do ChatGPT está se preparando para registrar confidencialmente um IPO nos EUA. Anteriormente, foi avaliada em US$ 852 bilhões, enquanto discussões preliminares apontam para uma possível avaliação de até US$ 1 trilhão.
O terceiro grande caso é a Anthropic, desenvolvedora do chatbot Claude. A empresa já registrou confidencialmente um IPO nos EUA e disputa com a OpenAI por capital, clientes e poder computacional. Em sua última rodada privada de captação, sua avaliação chegou a US$ 965 bilhões, o que só aumentou o interesse em sua futura listagem.
Para depender menos do mercado de ações, o Bitcoin precisa de um motor próprio forte. Hoje, ele frequentemente se comporta como um ativo de risco comum: quando os investidores estão dispostos a correr riscos, o BTC sobe junto com ações de tecnologia; quando surgem ideias mais interessantes no mercado, o dinheiro migra para lá.
Uma nova entrada em ETFs de Bitcoin à vista pode mudar esse cenário. Se grandes fundos voltarem a comprar BTC ativamente por meio de instrumentos negociados em bolsa, isso criaria uma demanda consistente e ajudaria o mercado a depender menos do sentimento de curto prazo dos traders.
Outro fator importante é a política do Fed. Se os investidores passarem a esperar cortes de juros, o interesse por ativos de risco pode crescer. Mas, para o Bitcoin, é importante não apenas subir junto com o mercado amplo, mas mostrar que existe demanda por ele separadamente da corrida geral por ações e IPOs.
Para isso, o mercado precisa de uma narrativa clara. Por exemplo, o retorno da ideia do Bitcoin como “ouro digital”, proteção contra inflação e interesse de investidores institucionais. Até que isso seja suficiente, o BTC continuará competindo com o mercado de ações por capital e perdendo nos momentos em que os investidores enxergam ideias mais promissoras em outros lugares.