A trajetória da Gemini até a IPO: Como os irmãos Winklevoss pretendem recuperar a confiança do mercado

A trajetória da Gemini até a IPO: Como os irmãos Winklevoss pretendem recuperar a confiança do mercado
A bolsa dos irmãos Winklevoss quer recuperar suas posições perdidas

A bolsa de criptomoedas Gemini está se preparando para ser listada na Nasdaq, tornando-se uma empresa de capital aberto. O caminho para a IPO do projeto dos irmãos Winklevoss tem sido difícil: de uma rápida ascensão a uma perda de participação no mercado. Mas agora a bolsa está tentando dar a volta por cima, inspirada pelo exemplo da Circle.

Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.

As notícias de que a Gemini estava preparando uma IPO (oferta pública inicial) surgiram no início deste ano. Naquela época, entretanto, não houve nenhum anúncio oficial, pois a empresa fundada por Cameron e Tyler Winklevoss estava apresentando resultados financeiros fracos - seu volume de negociação à vista caiu 6,9% em janeiro.

Mas a Gemini não está satisfeita com seu estado atual e quer fazer as coisas direito. Além disso, ela tem um forte exemplo na listagem da Circle na NYSE. O emissor de stablecoin conseguiu levantar mais de US$ 1 bilhão no verão vendendo 34 milhões de ações, elevando sua avaliação para US$ 8 bilhões.

Detalhes da IPO

Em junho, a Gemini finalmente apresentou os documentos necessários à Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) e, em 16 de agosto, os detalhes completos da próxima IPO foram revelados. A Gemini será listada na Nasdaq sob o código GEMI. Para isso, teve que divulgar seus resultados financeiros e sua estrutura corporativa.

No primeiro semestre de 2025, a empresa registrou um prejuízo líquido de US$ 282,5 milhões, em comparação com US$ 41,4 milhões no ano anterior. Para todo o ano de 2024, o prejuízo foi de US$ 158,5 milhões sobre uma receita de US$ 142,2 milhões.

O registro também revelou que os clientes serão divididos entre a Gemini Trust em Nova York e a Moonbase na Flórida. A bolsa divulgou um contrato de crédito com a Ripple no valor de US$ 75 milhões (com opção de aumento para US$ 150 milhões), embora ainda não tenha sido utilizado. A IPO será subscrita pelo Goldman Sachs, Citi, Morgan Stanley e Cantor. Se concluída, a Gemini se tornará a terceira bolsa de criptomoedas dos EUA a abrir seu capital, depois da Coinbase e da Bullish.

Quando e como a Gemini foi fundada

Cameron e Tyler Winklevoss, mais conhecidos por sua batalha legal com Mark Zuckerberg sobre a ideia do Facebook, receberam um acordo de US$ 65 milhões em 2008 em dinheiro e ações. Eles usaram esse capital para investir em Bitcoin, comprando cerca de 1% de sua oferta total em 2013. Os irmãos logo perceberam que o mercado de criptografia precisava de uma plataforma regulada e confiável que pudesse atrair investidores institucionais.

Em 2014, eles fundaram a Gemini, enfatizando a estrita conformidade regulatória nos EUA. A bolsa foi lançada oficialmente em outubro de 2015, após obter uma licença do Departamento de Serviços Financeiros do Estado de Nova York (BitLicense). Desde então, a Gemini tem tido sucessos e fracassos.

Conquistas e contratempos

O foco na conformidade valeu a pena. A Gemini foi a primeira entre os concorrentes a lançar futuros de Bitcoin regulamentados e a construir infraestrutura para clientes institucionais. A empresa também se expandiu internacionalmente, oferecendo serviços de custódia para armazenamento de ativos digitais. Em novembro de 2021, a Gemini levantou US$ 400 milhões em financiamento, atingindo uma avaliação de US$ 7,1 bilhões.

Mas o caminho estava longe de ser tranquilo. Com o aumento da concorrência, o volume de negociação da Gemini começou a despencar no início de 2023: em fevereiro, sua participação no comércio global à vista caiu para um recorde de 0,07%. A bolsa também enfrentou reações negativas em relação ao seu programa Earn, que deixou muitos usuários impossibilitados de acessar seus fundos. As disputas legais com os órgãos reguladores prejudicaram ainda mais sua reputação.

Uma dura verificação da realidade

Hoje, a Gemini detém uma participação modesta no mercado global de câmbio de criptografia. De acordo com a CoinMarketCap, ela mal se mantém entre as 25 principais plataformas de negociação, perdendo terreno para muitos projetos menos conhecidos. Ainda assim, a bolsa mantém um nicho ao aderir a padrões regulatórios rigorosos e se concentrar em clientes institucionais.

Apesar de seus fracassos e da perda de participação no mercado, a Gemini continua sendo um participante notável e pretende provar que seu compromisso com a transparência e a conformidade pode garantir o sucesso a longo prazo. A etapa final desse caminho será sua IPO, que deverá aumentar a confiança dos investidores e fornecer novos recursos para a concorrência. Será que ela terá sucesso como a Circle teve? Descobriremos muito em breve.

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