Preço da prata se estabiliza em US$ 70, enquanto rendimentos dos títulos permanecem firmes após decisão do Fed de manter as taxas
A prata foi negociada em uma base mais calma na sexta-feira, 20 de março, com os preços à vista oscilando em US$ 70, depois que a forte reversão da sessão anterior derrubou o mercado para seus níveis mais baixos em semanas. A recuperação foi modesta e não decisiva. Os traders ainda estavam enfrentando um Federal Reserve que deixou as taxas inalteradas em 3,50% a 3,75%, um rendimento de 10 anos dos E.U.A. mantendo-se acima de 4,27% e o petróleo Brent que permaneceu elevado perto de US$ 108 a US$ 110, mesmo depois de recuar de um pico acima de US$ 119.
Destaques
- A prata se manteve perto de US$ 70, depois que a queda de quinta-feira levou os preços à vista para cerca de US$ 69.
- O rendimento de 10 anos dos E.U.A. permaneceu acima de 4,27%, já que os mercados reduziram as esperanças de uma política mais fácil.
- O Brent permaneceu acima de US$ 100 após os ataques de energia do Golfo, mantendo viva a ansiedade com relação à inflação.
Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.
O gráfico está tentando construir um piso, mas ainda não o conquistou. Após o colapso de quinta-feira em direção à zona de meados de US$ 60, a prata passou a sexta-feira recuperando apenas parte desse dano, o que deixa o mercado com a impressão de estar mais em pausa do que em reversão. Um fechamento acima de US$ 71 ajudaria a estabilizar o tom, mas isso, por si só, não apagaria a fraqueza deixada pelo colapso da semana.
O que importa imediatamente é a faixa entre US$ 71 e US$ 73. Essa zona agora carrega o peso do suporte fracassado que se transformou em oferta de overhead, e os traders vão querer ver o preço recuperá-la com mais convicção antes de falar sobre uma recuperação mais limpa. Se isso acontecer, a próxima área em vista será em torno de US$ 75 a US$ 76, onde as vendas se aceleraram no início da semana.
No lado negativo, o mercado ainda tem negócios inacabados em torno da baixa de quinta-feira. A região de US$ 65 é a principal linha de falha para o sentimento de curto prazo, porque outro rompimento ali sugeriria que a fase de liquidação ainda não terminou e que os compradores ainda estão muito hesitantes para absorver a pressão macro. Até que a prata pare de produzir oscilações intradiárias violentas, o momentum permanece frágil.

Dinâmica do preço da prata de fevereiro a março de 2026 (Fonte: TradingView.)
As taxas estão falando de novo
A maior âncora continua sendo a política monetária. O Fed manteve a faixa-alvo para a taxa de fundos federais em 3,50% a 3,75%, e as projeções atualizadas continuaram a sinalizar um caminho cauteloso para a flexibilização, deixando os metais preciosos com pouco alívio do lado das taxas da história. Isso é importante para a prata porque o metal tende a ter dificuldades quando as alternativas de retorno real começam a parecer mais atraentes novamente.
Os rendimentos do Tesouro reforçaram essa mensagem nas negociações de sexta-feira. Mesmo com algumas idas e vindas durante o dia, o rendimento de 10 anos dos EUA ficou em torno de 4,27% a 4,37%, enquanto os rendimentos de prazos mais curtos também se mantiveram firmes o suficiente para manter as condições de financiamento apertadas. Em termos práticos, o mercado de títulos parou de dar aos metais o benefício da dúvida.
A energia continua sendo o fator de risco. Novos ataques à infraestrutura do Golfo mantiveram os mercados de petróleo inquietos e, embora o Brent tenha recuado do aumento intradiário de quinta-feira acima de US$ 119, ainda estava sendo negociado perto de US$ 108 a US$ 110 na sexta-feira. Essa combinação de risco de conflito e petróleo caro está alimentando os nervos da inflação em vez do comportamento clássico de porto seguro, o que ajuda a explicar por que a prata não reagiu ao estresse geopolítico da maneira que alguns traders normalmente esperariam.
O que virá a seguir pode depender do arrefecimento da volatilidade
Há um caminho de recuperação confiável a partir daqui, mas ele precisa da cooperação do cenário macroeconômico. Se o petróleo se estabilizar ainda mais, os rendimentos pararem de subir e a prata conseguir recuperar a faixa dos US$ 70,00 com uma ação de preço menos errática, o mercado poderá voltar aos US$ 73,00 primeiro e depois testar a zona de meados de US$ 70,00. Isso pareceria menos uma mudança completa de tendência do que uma fase de reparo após uma venda forçada.
O caso oposto ainda é fácil de imaginar. Outro salto no petróleo, outro aumento nos rendimentos ou uma nova liquidação de fundos deixaria a prata exposta a um retorno para US$ 65. Por enquanto, o metal está sendo negociado como um mercado que precisa de sinais de inflação mais calmos antes de poder recuperar a confiança.
A prata devolveu uma grande parte dos ganhos explosivos que definiram sua corrida anterior a 2026, e essa redefinição está forçando os traders a decidir se o movimento foi superaquecido ou apenas interrompido. A resposta é importante para além de um metal, porque a prata geralmente se encontra na interseção das expectativas de inflação, da demanda industrial e do apetite mais amplo pelo risco.
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