O preço do ouro mantém-se acima dos US$ 4.550, à medida que a alta do petróleo reforça os fluxos defensivos
O ouro (XAU/USD) permaneceu acima de US$ 4.550 na segunda-feira, 30 de março, com os preços se mantendo na área superior de US$ 4.500. O metal manteve parte da recuperação da semana passada, dando ao mercado um tom mais estável após a queda do início de março.
Destaques
- O preço do ouro foi negociado em torno de US$ 4.551 e atingiu uma alta intradiária perto de US$ 4.610.
- O petróleo bruto Brent subiu acima de US$ 115, já que os temores de oferta ligados ao conflito com o Irã permaneceram à vista.
- O rendimento do Tesouro americano de 10 anos diminuiu para 4,35%, enquanto o índice do dólar permaneceu próximo de 100,3 a 100,5.
Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.
O ouro está em uma zona mais confiável do que há algumas sessões atrás. Manter-se acima de US$ 4.550 é importante porque essa área está começando a agir menos como um ponto de recuperação passageiro e mais como uma prateleira onde os compradores estão dispostos a aparecer novamente.
O mapa próximo parece bastante limpo. O suporte inicial está em torno de US$ 4.500 a US$ 4.520 e, enquanto essa faixa continuar a conter as quedas, o mercado pode continuar pressionando a ideia de que o pior da recente liquidação já passou.
Na parte de cima, o primeiro nível que se destaca é a área de US$ 4.600 a US$ 4.610 após a corrida intradiária de segunda-feira. Um rompimento dessa região de preços daria ao movimento um pouco mais de consistência, enquanto um recuo para menos de US$ 4.500 faria com que a força parecesse mais fraca do que parece agora.

Dinâmica do preço do ouro (fevereiro a março de 2026). Fonte: TradingView.
O petróleo está escrevendo mais o roteiro do que o normal
O maior impulsionador na segunda-feira foi a energia. O Brent subiu acima do preço de US$ 115, já que o conflito em torno do Irã e a interrupção ligada ao Estreito de Ormuz mantiveram os investidores focados no risco de fornecimento, na pressão inflacionária e na alta probabilidade de crescimento mais lento.
Esse cenário ajuda o ouro, mas não de uma forma simples. O mesmo choque do petróleo que reaviva a demanda por ativos defensivos também complica o cenário das taxas, pois os custos mais altos de energia podem manter vivas as preocupações com a inflação, mesmo quando o sentimento de crescimento está piorando.
O dólar adicionou outra camada de resistência em vez de sair do caminho. Com o índice do dólar em torno de 100,3 a 100,5, o ouro está subindo apesar de um cenário macro que normalmente limitaria o avanço de forma mais agressiva.
Dois caminhos a partir daqui parecem igualmente plausíveis
Se o petróleo continuar quente e os nervos do mercado mais amplo permanecerem instáveis, o ouro pode continuar atraindo compradores em retrocessos e se estender em direção a novas altas próximas. Nesse caso, o mercado provavelmente continuará tratando as quedas como entradas e não como avisos.
O outro cenário é menos dramático, mas ainda assim importante. Se o petróleo esfriar, o dólar voltar a subir ou os rendimentos começarem a subir depois do recuo de segunda-feira, o ouro poderá deslizar para os US$ 4.500 e forçar a recuperação a provar que tem mais por trás do que a cobertura de posições vendidas e o estresse das manchetes.
O ouro passou o mês de março reagindo a duas forças que não se encaixam confortavelmente: a demanda por segurança e um cenário macroeconômico que não se tornou verdadeiramente favorável. A segunda-feira manteve o lado do refúgio na frente, mas a pressão sobre as taxas e as moedas não desapareceu.
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