Parlamento de Portugal propõe reforçar autonomia energética de infraestruturas críticas

Parlamento de Portugal propõe reforçar autonomia energética de infraestruturas críticas
Energia segura por 72h

Portugal avança com novas exigências para reforçar a resiliência energética de hospitais, lares e serviços essenciais perante falhas prolongadas na rede elétrica. As recomendações parlamentares preveem autonomia mínima de 72 horas para instalações críticas e enquadram investimentos públicos já reservados para saúde, telecomunicações e armazenamento de energia.

Destaques

  • Parlamento propõe obrigar infraestruturas críticas como hospitais e lares a garantir 72 horas de autonomia energética, secundárias ao menos 24 horas.
  • O teto de armazenamento de combustível em locais críticos deverá subir de 500 para 3.000 litros, alinhando Portugal com padrões da União Europeia.
  • Portugal já assegurou 25 milhões de euros em fundos europeus para resiliência de saúde e telecomunicações, com contratos regulatórios esperados até abril de 2026.

Novas exigências para energia de emergência

Segundo The Portugal Post, um grupo de trabalho parlamentar liderado pelo deputado do PSD Paulo Moniz publicou recomendações preliminares para impor padrões obrigatórios de autonomia energética em infraestruturas críticas. A proposta, apoiada em audições com a ERSE e alinhada com orientações da ENTSO-E, prevê que hospitais, centros de saúde primários, lares de idosos e estruturas de resposta de emergência passem a manter 72 horas de fornecimento autónomo de energia, enquanto infraestruturas críticas secundárias teriam de assegurar pelo menos 24 horas.

O texto também defende auditorias periódicas obrigatórias, com divulgação pública dos resultados, para garantir o cumprimento efetivo das regras. Nas audições parlamentares, o presidente da ERSE sublinhou que as infraestruturas críticas precisam de soluções autónomas de emergência ajustadas às suas cargas críticas específicas.

Entre as alterações propostas está ainda a revisão imediata dos limites de armazenamento de combustível. O grupo parlamentar considera insuficiente o teto atual de 500 litros em locais críticos e estabelecimentos de retalho alimentar, propondo uma subida para 3.000 litros, em linha com outros países da União Europeia.

As recomendações alargam também a lista de setores considerados essenciais, com a integração formal de cadeias de retalho alimentar e farmácias no quadro de infraestruturas críticas. O relatório defende ainda uma revisão abrangente da Rede Estratégica de Postos de Abastecimento, com maior capacidade técnica, protocolos de acesso mais amplos e mecanismos testados para reabastecer geradores de emergência durante falhas da rede.

Impacto na resiliência nacional e nos consumidores

Além do fornecimento elétrico, o grupo de trabalho identifica fragilidades nas comunicações de emergência, em especial no SIRESP, e pede uma revisão estrutural do sistema. As recomendações incluem ainda a criação de um mecanismo de alerta e comunicação de emergência independente das redes comerciais, para funcionar mesmo quando falham os serviços móveis e de internet.

No plano institucional, o relatório pede ao governo um ponto de situação sobre a operacionalização do CORGOV e enquadra estas medidas na construção de uma cultura nacional de preparação para crises. Para os residentes, a proposta significa maior probabilidade de continuidade operacional em hospitais, lares, bombeiros, esquadras, farmácias e supermercados durante apagões prolongados, reduzindo riscos para a saúde pública, abastecimento alimentar e mobilidade.

A implementação exige investimento relevante. Portugal já garantiu 25 milhões de euros de fundos europeus para reforçar a resiliência de infraestruturas de saúde e telecomunicações, com prioridade para hospitais, maternidades e torres de comunicações com painéis solares e baterias, enquanto mais de 60 milhões de euros do PRR estão destinados a sistemas de armazenamento por baterias na rede nacional.

O avanço regulatório acompanha a diretiva europeia sobre resiliência de entidades críticas, transposta para a lei nacional em 19 de março de 2025. A estratégia nacional de resiliência está em desenvolvimento, com aprovação prevista para o início de 2026 e designação final das entidades críticas até 17 de julho de 2026, enquanto os primeiros contratos de resiliência são esperados até ao fim de abril de 2026.

Na nossa publicação anterior sobre as indemnizações após o apagão ibérico de 28 de abril de 2025, detalhámos que empresas e consumidores têm até 28 de abril de 2026 para apresentar pedidos, num contexto de perdas estimadas em mais de 2 mil milhões de euros. Explicámos ainda que a decisão da ERSE sobre a classificação do incidente como evento extraordinário é determinante para saber se haverá compensações automáticas por via regulatória ou se os lesados terão de recorrer sobretudo a ações cíveis mais longas.

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