Bragança avança com controlo biológico para travar perdas na castanha
O nordeste transmontano enfrenta nova pressão sobre a produção de castanha, numa campanha em que algumas zonas podem voltar a registar quebras significativas. Esta semana arranca uma operação com 200 largadas de vespas parasitas em Bragança e Vinhais, num setor que vale cerca de 100 milhões de euros por ano em condições normais.
Destaques
- Início de 200 largadas de Torymus sinensis pelo Instituto Politécnico de Bragança busca conter Dryocosmus kuriphilus, que já causou perdas superiores a 20 milhões de euros.
- As largadas concentram-se em Bragança e Vinhais, onde Trás-os-Montes representa 85% da produção nacional e produtores relatam destruição até 90% do potencial produtivo.
- A pressão sobre a oferta local pode elevar preços e aumentar importações de Espanha e Itália, enquanto Vinhais já investiu mais de 1 milhão de euros em combate às pragas.
Plano de combate nas zonas mais afetadas
Como noticiou o ThePortugalPost, o Instituto Politécnico de Bragança inicia esta semana 200 largadas de Torymus sinensis para conter a expansão de Dryocosmus kuriphilus, a vespa asiática das galhas do castanheiro, que já reduziu colheitas em até 50% em algumas áreas e provocou prejuízos superiores a 20 milhões de euros nos últimos anos. A operação prevê 100 largadas no concelho de Bragança e outras 100 em Vinhais, com foco nas aldeias mais atingidas.O inseto invasor, detetado no distrito de Bragança em 2017, deposita ovos nos gomos foliares e origina galhas avermelhadas que bloqueiam a floração e a frutificação. Nas freguesias de Carragosa, Parâmio, Salsas e Serapicos, os soutos enfrentam níveis classificados como severos, enquanto produtores relatam já nesta primavera novos rebentos comprometidos.
Albino Bento, coordenador da campanha no Politécnico de Bragança, indica que as largadas visam os focos de 2026, repetindo áreas muito afetadas em 2025, como Parâmio, Zeive, Carragosa, Salsas e Salselas. Apesar de taxas de parasitismo entre 40% e 60%, o responsável avisa que o efeito não é imediato e que a redução mais expressiva da infestação só deverá surgir na próxima campanha.
Entre os produtores e autarcas locais mantém-se, ainda assim, a pressão por mais meios. Em Parâmio, onde estão previstas 10 largadas ao abrigo do protocolo municipal, o presidente da junta considera o número insuficiente e admite reforço adicional, embora as regras técnicas imponham espaçamento de 500 metros entre pontos de libertação para evitar saturação e garantir dispersão eficaz.
Impacto económico no setor transmontano
Trás-os-Montes representa cerca de 85% da produção nacional de castanha e, num ano normal, Bragança e Vinhais podem somar até 25 mil toneladas. A quebra causada pela vespa das galhas, somada à doença da tinta, ao cancro e à instabilidade meteorológica associada às alterações climáticas, está a pressionar um dos principais pilares da economia rural da região.Segundo os dados citados no texto original, as perdas em Bragança ultrapassaram 20 milhões de euros em 2023, e os produtores alertam que a campanha de 2026 pode prolongar essa fatura. Em soutos mais afetados, a destruição do potencial produtivo pode chegar a 90%, enquanto agricultores dizem recuperar apenas cerca de 40% da qualidade obtida há uma década.
A pressão sobre a oferta local pode traduzir-se em preços mais altos e maior recurso a importações de Espanha e Itália por parte da indústria transformadora. Ao mesmo tempo, o prolongamento das perdas agrava o risco de despovoamento em aldeias de montanha dependentes da castanha e aumenta a pressão sobre orçamentos municipais, num contexto em que Vinhais já comprometeu mais de 1 milhão de euros nos últimos anos em controlo de pragas e doenças.
No nosso artigo anterior sobre o concurso de 20 milhões de euros para modernização de explorações agrícolas afetadas por tempestades e cheias, explicámos que o apoio prevê subvenções a fundo perdido de 50% para investimentos elegíveis. Detalhámos ainda o calendário e as condições, com candidaturas até 29 de maio e projetos focados em reforço de resiliência, proteção tecnológica e diversificação produtiva, complementados por financiamento reembolsável via PRR para despesas não elegíveis.
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