Uber mantém operação normal durante protesto do setor TVDE em Lisboa
O protesto de motoristas e operadores TVDE em Lisboa pressiona as plataformas por tarifas mais altas, exclusão do táxi do regime e medidas de alívio para os combustíveis. A Uber diz que a atividade decorre sem perturbações, enquanto o setor continua a mostrar crescimento no número de motoristas, operadores e veículos elétricos.
Destaques
- Mais de duas centenas de motoristas e operadores TVDE protestam em Lisboa exigindo aumento urgente das tarifas e apoio devido à subida dos combustíveis.
- Uber Portugal reporta operação normal, destaca acordo com SINDEL sobre rendimento e seguro, e mantém diálogo regular com motoristas e parceiros de frota.
- Dados do IMT mostram aumento de 5,6% nos motoristas, 23,2% nos operadores e 67% nos veículos elétricos TVDE entre março de 2025 e março de 2026.
Protesto em Lisboa e resposta da empresa
Conforme noticiou a Lusa, mais de duas centenas de motoristas e operadores TVDE concentram-se de manhã no Campo Pequeno, em Lisboa, e seguem em marcha para a sede da Bolt, na Avenida da Liberdade, prevendo chegar depois à Assembleia da República. As principais exigências passam por um aumento urgente das tarifas, pela rejeição da entrada do setor do táxi no regime TVDE e por apoio face à subida dos preços dos combustíveis.Numa resposta enviada à Lusa, a Uber Portugal afirma que respeita o direito à manifestação de todos os utilizadores da plataforma, desde que seja exercido com respeito pela segurança e pela ordem pública. A empresa acrescenta que a operação funciona dentro da normalidade, como acontece habitualmente neste tipo de situações.
A plataforma diz ainda que mantém um diálogo regular e construtivo com motoristas e parceiros de frota. A Uber destaca também o acordo recentemente celebrado com o SINDEL, afiliado da UGT, que prevê uma garantia de rendimento, um seguro para todos os motoristas e um modelo de representação adaptado ao trabalho em plataformas digitais.
Crescimento do setor e foco nos custos operacionais
A Uber sustenta que uma subida de preços, por si só, não se traduz automaticamente em maiores rendimentos, sobretudo num contexto de aumento generalizado dos custos para os consumidores. No entendimento da empresa, a prioridade deve estar na redução dos custos operacionais, nomeadamente através da eletrificação da frota, que pode cortar em mais de 60% o custo por quilómetro com combustível ou energia.Segundo a empresa, o equilíbrio entre oferta e procura é essencial para a sustentabilidade do setor, permitindo manter preços acessíveis para os consumidores e remuneradores para motoristas e operadores. A Uber acrescenta que a informação sobre cada viagem é apresentada de forma transparente antes da aceitação, sem penalização para o motorista que decida não a realizar.
A empresa refere ainda sinais de crescimento e confiança no mercado TVDE, citando dados do IMT que apontam para aumentos de 5,6% no número de motoristas e de 23,2% no número de operadores entre março de 2025 e março de 2026. Na mesma comparação, o número de veículos elétricos sobe 67%, enquanto o total de veículos TVDE avança 6,6%.
Na nossa publicação anterior sobre os protestos de motoristas e operadores TVDE em Lisboa, destacámos a mobilização a partir do Campo Pequeno para pressionar plataformas e decisores políticos enquanto avança a revisão da Lei 45/2018. O setor exigia aumento urgente das tarifas, apoio face à subida dos combustíveis e rejeitava a possibilidade de os táxis passarem a operar no regime TVDE, sublinhando também o peso económico da atividade com base em dados do IMT.
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