Novo Banco conclui venda à BPCE e encerra resgate bancário em Portugal
Depois de 12 anos de resolução, injeções de capital e controvérsia política, o Novo Banco passa integralmente para o grupo francês BPCE numa operação concluída em 30 de abril de 2026. A venda fecha a participação pública no banco criado após o colapso do BES, mas deixa por recuperar uma parte relevante dos cerca de 8 mil milhões de euros suportados pelos contribuintes.
Destaques
- Ministério das Finanças concluiu a venda total do Novo Banco à BPCE, encerrando o resgate com aprovação regulatória final em abril de 2025.
- Estado português recupera quase 2 mil milhões de euros com a alienação da sua posição de 25%, cobrindo apenas cerca de um quarto do custo público total.
- O valor ajustado da transação atinge cerca de 6,7 mil milhões de euros e a BPCE passa a deter 9% do mercado de clientes particulares em Portugal, apesar de riscos reputacionais devido à investigação criminal sobre ativos tóxicos.
Venda fecha ciclo iniciado com a queda do BES
Como noticiou o ThePortugalPost, o Ministério das Finanças conclui a alienação total do Novo Banco ao grupo francês BPCE, pondo fim a um dos processos mais onerosos da história recente do sistema bancário português. A operação acontece depois de o Banco Central Europeu ter dado aprovação regulatória final em 16 de abril e sucede ao acordo de venda aprovado pelos acionistas em junho de 2025.O Novo Banco nasce em agosto de 2014, quando as autoridades portuguesas, em articulação com a Comissão Europeia e o Banco Central Europeu, determinam a resolução do Banco Espírito Santo. A separação entre os ativos problemáticos e a nova instituição pretende proteger depositantes e preservar a estabilidade financeira, com a promessa de uma privatização rápida.
Essa solução só avança em 2017, quando 75% do capital é vendido ao fundo norte-americano Lone Star em troca de uma injeção de 1.000 milhões de euros. O acordo inclui um mecanismo de capital contingente que obriga o Fundo de Resolução a compensar perdas em ativos herdados do BES até um limite de 3.890 milhões de euros, mecanismo que gera forte contestação pública e sucessivas disputas políticas.
Ao longo dos anos seguintes, o banco acumula perdas superiores a 7.000 milhões de euros até 2020, antes de regressar aos lucros em 2021. A rentabilidade melhora de forma continuada até atingir 828 milhões de euros em 2025, reforçando o interesse da BPCE, que entra assim na banca de retalho em Portugal com uma instituição que detém cerca de 9% do mercado de clientes particulares.
Impacto financeiro e desafios para o setor
A concretização da venda permite ao Estado recuperar mais de 1,6 mil milhões de euros pela sua participação de 25%, aos quais se somam dividendos já recebidos. Segundo a indicação do Ministério das Finanças citada no texto, a recuperação total aproxima-se de 2 mil milhões de euros, valor que cobre apenas cerca de um quarto do esforço público associado ao resgate.O valor inicial da transação foi anunciado em cerca de 6,4 mil milhões de euros, embora fontes do setor apontem para um montante ajustado próximo de 6,7 mil milhões de euros, refletindo a melhoria da qualidade dos ativos e a redução de responsabilidades. Para a Lone Star, o desfecho representa um retorno muito elevado face à injeção inicial de 2017, enquanto para Portugal o balanço continua marcado por custos avultados para os contribuintes.
No plano operacional, a BPCE já está presente em Portugal através da Natixis, da Oney Bank e de um centro tecnológico no Porto, mas a compra do Novo Banco transforma o país no seu segundo maior mercado doméstico de banca de retalho depois de França. Mark Bourke mantém-se, para já, como presidente executivo, ao mesmo tempo que o grupo prepara mudanças noutros cargos de topo e na estrutura de supervisão.
A operação é concluída sob pressão adicional de uma investigação criminal sobre a venda de ativos tóxicos herdados do BES. As buscas realizadas em outubro de 2025 pela Polícia Judiciária na sede do Novo Banco e nas instalações da KPMG mantêm dúvidas sobre eventuais irregularidades nessas transações, preservando um foco de risco reputacional para o banco e para o setor financeiro português.
Na nossa cobertura anterior sobre o desempenho do PSI na bolsa de Lisboa, destacámos uma sessão em baixa acompanhando as principais praças europeias, num mercado condicionado pela subida do crude e pelas preocupações com um possível bloqueio prolongado do estreito de Ormuz. Nesse dia, a pressão sobre o grupo EDP pesou no índice, enquanto a valorização da Galp e o bom comportamento de algumas construtoras ajudaram a limitar a queda. O artigo também sublinhou como catalisadores imediatos, como decisões sobre dividendos, podem influenciar rapidamente a direção diária do mercado.
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