ExxonMobil supera expectativas apesar da turbulência no mercado de petróleo
Em 1º de maio, a ExxonMobil divulgou resultados melhores do que o esperado para o primeiro trimestre de 2026, apesar das pressões decorrentes das tensões no Oriente Médio, das interrupções no abastecimento e das perdas relacionadas a operações de hedge. A empresa registrou um lucro líquido GAAP de US$ 4,2 bilhões, ou US$ 1,00 por ação, mas seus resultados subjacentes foram significativamente melhores.
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Excluindo itens não recorrentes e efeitos de timing, a Exxon lucrou US$ 8,8 bilhões, ou US$ 2,09 por ação. Esse valor reflete melhor a solidez operacional da empresa, já que grande parte da pressão estava ligada a efeitos contábeis que poderiam se reverter em períodos futuros.
Derivativos distorceram o lucro reportado
A principal razão para a diferença entre o lucro reportado e o ajustado foram US$ 3,9 bilhões em efeitos de timing desfavoráveis. A Exxon explicou que estes estavam relacionados à reavaliação de posições abertas em derivativos, enquanto as entregas físicas correspondentes ainda não haviam sido refletidas nos resultados financeiros.
Além disso, a empresa registrou US$ 0,7 bilhão em perdas com hedges financeiros que não foram compensadas por entregas físicas devido a interrupções no Oriente Médio. Isso reduziu o lucro reportado, mas não alterou o panorama geral: os negócios subjacentes da Exxon permaneceram sólidos mesmo em um ambiente de mercado difícil.
O CEO da ExxonMobil, Darren Woods, afirmou que o trimestre demonstrou a capacidade da empresa de operar em meio a choques de mercado e ao longo de ciclos. Segundo ele, os eventos no Oriente Médio destacaram a importância de um abastecimento energético confiável e as vantagens do modelo operacional global da Exxon.
As operações principais permaneceram sólidas
Embora os derivativos e os efeitos de timing tenham pesado sobre o lucro reportado, o desempenho operacional da Exxon permaneceu sólido. A empresa continuou a se beneficiar do crescimento da produção, da expansão no GNL e do rigoroso controle de custos — fatores que importam mais para sua capacidade de geração de lucros a longo prazo do que as oscilações contábeis de curto prazo.
A produção no primeiro trimestre atingiu 4,6 milhões de barris de óleo equivalente por dia. A Guiana continuou sendo um dos motores de crescimento mais importantes da Exxon, estabelecendo um novo recorde trimestral de mais de 900.000 barris brutos por dia. Isso é significativo porque o crescimento em regiões de alto retorno ajuda a Exxon a melhorar não apenas os volumes de produção, mas também a qualidade de seu portfólio de upstream.
O GNL também contribuiu para o trimestre. A Exxon iniciou a primeira produção do Golden Pass Train 1 no Texas, um projeto que, segundo a empresa, aumentou as exportações de GNL dos EUA em 5% em comparação com 2025. O lançamento fortalece a posição da Exxon nos mercados globais de gás em um momento em que a demanda por um fornecimento de energia confiável e flexível continua alta.
A disciplina de custos foi outro fator importante. Desde 2019, a Exxon alcançou US$ 15,6 bilhões em economias estruturais acumuladas, incluindo US$ 0,6 bilhão no primeiro trimestre. A empresa espera que esse valor chegue a US$ 20 bilhões até 2030, o que deve tornar seus lucros mais resilientes durante ciclos mais fracos das commodities. Juntos, esses resultados explicam por que o trimestre pareceu mais forte do que o lucro GAAP sugeria. A Exxon não foi simplesmente ajudada pelos preços do petróleo; ela também mostrou progresso em áreas que podem sustentar o fluxo de caixa por um período mais longo — produção de alto valor, capacidade de GNL e uma base de custos mais baixa.
Os acionistas continuam no centro das atenções
A Exxon manteve altos retornos para os acionistas. No primeiro trimestre, a empresa distribuiu US$ 9,2 bilhões por meio de dividendos e recompra de ações, incluindo US$ 4,3 bilhões em dividendos e US$ 4,9 bilhões em recompras. Isso está em linha com o plano da empresa de recomprar US$ 20 bilhões em ações em 2026, assumindo condições normais de mercado.
O conselho também declarou um dividendo para o segundo trimestre de US$ 1,03 por ação, pagável em 10 de junho de 2026.
Lucro subjacente sustenta o interesse na Exxon
Para os investidores, a principal conclusão é que o lucro reportado pela Exxon parece mais fraco devido a derivativos e efeitos de timing, enquanto o quadro operacional subjacente permanece resiliente. A empresa se beneficiou de preços e margens mais altos, crescimento da produção em regiões prioritárias e disciplina de custos.
Ao mesmo tempo, os riscos não desapareceram. As perturbações no Oriente Médio já afetaram os volumes e a cobertura, enquanto novas tensões geopolíticas podem manter os mercados de petróleo e gás voláteis. Para a Exxon, isso é tanto um risco quanto uma oportunidade: preços mais altos sustentam a lucratividade, mas interrupções operacionais e efeitos contábeis podem causar oscilações bruscas nos resultados divulgados.
No geral, o relatório da ExxonMobil parece positivo para o mercado. A empresa mostrou que é capaz de gerar um forte fluxo de caixa e manter os pagamentos aos acionistas mesmo em um ambiente instável. É por isso que os investidores agora se concentrarão não apenas nos preços do petróleo, mas também na rapidez com que os efeitos de timing se revertem e se a Exxon conseguirá manter seu ritmo de crescimento operacional no segundo semestre do ano.
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