Portugal revê crescimento e enfrenta pressão orçamental em 2026
A atualização das previsões do Governo para 2026 aponta para um crescimento de 2% do PIB e para um saldo orçamental nulo, num quadro mais otimista do que o traçado por instituições internacionais. O cenário depende, porém, do efeito económico das tempestades deste inverno e da guerra do Golfo, fatores que já pressionam atividade, preços e contas públicas.
Destaques
- O governo português estima crescimento econômico de 2% e saldo orçamental zero em 2026, superando a previsão de 1,6% do FMI.
- Eventos como tempestades de inverno, ciclone e cheias, além da guerra do Golfo, elevam riscos e pressionam o desempenho macroeconómico.
- Menor dinamismo económico e aumento de custos agravam a pressão orçamental, exigindo medidas rigorosas para evitar regresso ao défice em 2026.
Previsões oficiais e riscos para 2026
Segundo o Jornal de Negócios, Miranda Sarmento atualizou as projeções macroeconómicas para 2026 com uma estimativa de crescimento de 2% para a economia portuguesa e uma expectativa de saldo orçamental em zero.O enquadramento apresentado pelo ministro das Finanças surge acima das previsões de organizações internacionais, com o FMI a apontar para um crescimento de 1,6%. A diferença reflete um cenário oficial mais favorável, mas sujeito à forma como a economia reage na parte restante do ano.
Entre os principais riscos identificados estão os efeitos das tempestades deste inverno, incluindo o ciclone na zona centro e as cheias, bem como a guerra do Golfo. O mau tempo já se faz sentir na atividade, com o PIB a crescer zero por cento em cadeia, enquanto o conflito tem impacto visível sobretudo nos preços, em especial através dos combustíveis.
Contas públicas sob maior tensão política
A combinação de menor dinamismo económico e aumento de custos agrava a pressão sobre o orçamento. As receitas tendem a crescer menos, ao mesmo tempo que a despesa mantém uma dinâmica herdada de 2025, tornando mais difícil evitar um desvio para défice.O texto sublinha que um agravamento das contas públicas daria margem acrescida de crítica ao PS, que procura recuperar a bandeira das contas certas. Após a divulgação dos dados mais recentes da execução orçamental, o líder socialista já tinha afirmado que os números faziam soar sinais de alarme.
Perante este quadro, Miranda Sarmento e Luís Montenegro enfrentam a necessidade de adotar medidas para travar um regresso aos défices em 2026. Esse esforço poderá exigir decisões orçamentais mais exigentes num contexto de crescimento mais frágil e de risco externo elevado.
Na nossa publicação anterior sobre o excedente orçamental no primeiro trimestre, explicámos que as administrações públicas fecharam o período com um saldo positivo de 209 milhões de euros, apesar da estagnação económica e do abrandamento da receita fiscal. O texto destacou que pagamentos excecionais ao SNS e medidas de apoio a empresas afetadas pelas tempestades (como isenções e moratórias) reduziram o excedente e aumentaram a pressão sobre a execução das finanças do Estado.
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