Benfica projeta lucro de 8,4 milhões de euros no orçamento para 2026/27

Benfica projeta lucro de 8,4 milhões de euros no orçamento para 2026/27
Benfica projeta lucro 2026

O Benfica submete esta sexta-feira aos sócios o orçamento e plano de investimentos para 2026/27, com uma previsão de resultado positivo de 8,4 milhões de euros. A direção liderada por Rui Costa apresenta essa meta como essencial para sustentar o investimento na competitividade desportiva, após anos de forte contestação interna sobre as contas do clube.

Destaques

  • Benfica projeta lucro de 8,4 milhões de euros no orçamento para 2026/27, com receitas previstas de 70 milhões e gastos de 61,6 milhões.
  • A previsão de lucro supera os 7,65 milhões registados em 2024/25 e os 3,91 milhões estimados para 2025/26, refletindo maior equilíbrio financeiro.
  • A votação do orçamento ocorre após o chumbo do documento para 2025/26 por 73,80% dos votos, num contexto de maior exigência estatutária e contestação interna à direção.

Orçamento para 2026/27 vai hoje a votação

Como noticiou o Jornal de Negócios, Rui Costa defendeu na Assembleia Geral do Benfica que o resultado positivo previsto para 2026/27 é uma condição essencial para o clube continuar a investir nas equipas, nas modalidades e em projetos estruturantes.

Na abertura da segunda reunião magna do dia, no Pavilhão n.º 2 do Estádio da Luz, em Lisboa, o presidente benfiquista afirmou que a projeção de 8,4 milhões de euros não é um fim em si mesmo, mas um sinal de equilíbrio necessário para reforçar a qualidade dos plantéis e garantir sustentabilidade de longo prazo.

O orçamento aponta para rendimentos de 70 milhões de euros e gastos de 61,6 milhões, permitindo projetar o resultado positivo agora apresentado aos associados. A previsão melhora face aos 3,91 milhões de euros inscritos na previsão de execução de 2025/26 e supera também os 7,65 milhões registados no exercício de 2024/25.

Rui Costa destacou ainda indicadores da época anterior, como a entrada de 30 mil novos sócios e a maior assistência de sempre num jogo de futebol no Estádio da Luz, apresentando esses dados como prova da força mobilizadora do clube e como base para pedir voto favorável ao documento.

Pressão estatutária e histórico de chumbo pesam na decisão

Esta votação ocorre num contexto de maior exigência interna sobre a direção, depois de os novos estatutos aprovados em março de 2025 terem criado um mecanismo de demissão automática da Direção caso o relatório de gestão e contas seja rejeitado duas vezes em Assembleia Geral.

Esse mecanismo, contudo, só produz efeitos a partir do segundo ano do exercício de cada direção, pelo que não pode ser aplicado à equipa liderada por Rui Costa nas primeiras contas apresentadas após a eleição de outubro de 2025.

O enquadramento atual é marcado pelo chumbo do orçamento para 2025/26, rejeitado em junho de 2025 por 73,80% dos votos, numa assembleia em que participaram 1.056 sócios. O documento então apresentado previa um resultado positivo de 5,5 milhões de euros e a sua reprovação acentuou a contestação interna à gestão do presidente, num ano que culminou com a sua reeleição.

Também em 2024, Rui Costa não obteve a maioria absoluta exigida pelos estatutos então em vigor para aprovar o orçamento. Esse histórico aumenta o peso político e financeiro da votação agora em curso, numa altura em que o clube tenta conciliar disciplina orçamental com ambição desportiva.

Na nossa publicação anterior sobre a centralização dos direitos televisivos no futebol profissional português, explicámos que a LPFP pretende implementar, a partir de 2028/29, um modelo de venda e distribuição centralizada para reduzir a disparidade de receitas entre clubes e introduzir critérios como mérito desportivo, audiências e assistência. Também referimos a resistência dos três grandes — incluindo o Benfica, que mantém contratos individuais até 2027/28 — e as opções em estudo para explorar comercialmente estes direitos, entre concurso por pacotes e o reforço da Liga TV.

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