Liga portuguesa define centralização dos direitos televisivos para reduzir disparidade entre clubes
O futebol profissional português prepara uma mudança estrutural na venda dos direitos televisivos, com a nova fórmula centralizada a entrar em vigor na época 2028/29. O modelo pretende reduzir em mais de metade a diferença de receitas entre os clubes que mais e menos recebem e põe fim às vendas individuais após 2027/28.
Destaques
- A Liga Portuguesa de Futebol Profissional iniciará a centralização dos direitos audiovisuais a partir de 2028/29, eliminando contratos individuais e adotando critérios mistos de distribuição.
- O novo modelo deve reduzir em mais de 50% a diferença entre receitas do clube que mais recebe e o que menos recebe, segundo a LPFP.
- Clubes como Benfica, Porto e Sporting resistem à centralização, com o Benfica ainda beneficiando de contrato de 104,6 milhões de euros com a NOS até 2027/28.
Nova fórmula e calendário de aplicação
A ThePortugalPost informa que a Liga Portuguesa de Futebol Profissional fechou a fórmula final de distribuição das receitas audiovisuais centralizadas, já aprovada pelos clubes e validada este mês pela Autoridade da Concorrência. O novo regime substitui o sistema fragmentado de pagamentos fixos, no qual clubes como o Benfica negociavam contratos próprios de transmissão.A partir do fim da época 2027/28, nenhum clube poderá vender direitos de transmissão de forma independente. A distribuição passará a combinar critérios de mérito desportivo, uma parcela igual para todos, assistência aos jogos, audiências televisivas, condições oferecidas às equipas de produção e qualidade das infraestruturas, incluindo relvado, iluminação e condições de trabalho para os media.
André Mosqueira do Amaral, diretor executivo da LPFP responsável pelo processo de centralização, afirma que a mudança cria igualdade de oportunidade e torna claras as regras para que cada clube possa melhorar a sua posição. Segundo a liga, a diferença entre o clube que mais recebe e o que menos recebe, hoje muito acima dos padrões europeus, deverá cair mais de 50% com a entrada do novo modelo.
Impacto no mercado e vias de execução
Para clubes de menor dimensão e de mercados urbanos fora do eixo dos três grandes, a centralização deverá trazer receitas mais previsíveis e maior capacidade de planeamento plurianual. Cidades como Braga, Guimarães e Setúbal podem beneficiar de maior estabilidade financeira nos seus emblemas, com efeitos potenciais no investimento em plantéis, estádios e infraestruturas locais.A transição, porém, mantém resistência dos principais emblemas. Benfica, Porto e Sporting não estiveram na assembleia que aprovou a chave de distribuição, e o Benfica tem manifestado oposição pública ao processo, numa altura em que ainda beneficia de contratos individuais, como o acordo de 104,6 milhões de euros com a NOS para as épocas 2026/27 e 2027/28.
A LPFP estuda várias formas de executar o novo modelo. A primeira passa por um concurso competitivo para pacotes de transmissão, enquanto uma alternativa envolve a Liga TV como plataforma própria de produção e distribuição, possivelmente num formato híbrido com operadores tradicionais.
A liga também avalia captar capital institucional para estádios, academias, centros de treino e operações comerciais, após reunir-se com 35 grandes investidores do desporto mundial. Em paralelo, quer segmentar melhor o produto audiovisual, incluindo resumos, documentários, bastidores e um canal em português dirigido às comunidades emigrantes em França, Suíça, UK e América do Norte.
No enquadramento europeu, Portugal chega mais tarde do que Espanha, Itália e Alemanha à centralização, mas ainda dentro do prazo definido pelo Decreto-Lei 22-B/2021. Com a data de arranque fixada para 2028/29, a capacidade de transformar esta reforma em receitas sustentáveis será decisiva para aproximar o desempenho económico dos clubes portugueses da sua competitividade desportiva.
Na nossa publicação anterior sobre a centralização dos direitos audiovisuais do futebol profissional português, explicámos que a LPFP pretende aplicar um novo modelo de distribuição de receitas a partir de 2028/29, com o objetivo de reduzir significativamente a desigualdade entre clubes e premiar mais diretamente o mérito desportivo. Também destacámos as opções em estudo para a exploração comercial dos direitos — desde um concurso por pacotes até ao reforço da Liga TV — e a possibilidade de captar investimento externo para apoiar infraestruturas e potenciar o valor do produto, incluindo um canal direcionado à diáspora.
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