Seguradoras em Portugal concluem 71% dos sinistros das tempestades e pagam 530 milhões de euros

Seguradoras em Portugal concluem 71% dos sinistros das tempestades e pagam 530 milhões de euros
71% dos sinistros pagos

As seguradoras já regularizam a maioria dos pedidos de indemnização associados ao comboio de tempestades que atinge Portugal entre o fim de janeiro e meados de fevereiro. O setor estima encargos totais de 1.300 milhões de euros e mantém processos em aberto sobretudo por atrasos em reparações, falta de materiais e avaliações técnicas mais complexas.

Destaques

  • Seguradoras em Portugal já concluíram ou adiantaram 71% dos 205 mil sinistros das tempestades, abrangendo 145 mil casos.
  • Foram pagos 530 milhões de euros em indemnizações, de um total estimado de 1.300 milhões de euros, com pagamentos recentes de 85 milhões de euros nas últimas duas semanas.
  • Os prejuízos globais das tempestades ultrapassam cinco mil milhões de euros, aumentando a pressão operacional e financeira sobre o setor segurador, especialmente nos processos empresariais complexos.

Ritmo de regularização e pagamentos

Como comunicado pela Associação Portuguesa de Seguradores, 145 mil dos 205 mil sinistros reportados já estão concluídos ou receberam adiantamentos, o equivalente a 71% do total.

Nos particulares, que concentram a maioria das participações, cerca de 72% dos processos estão regularizados, entre encerramentos e adiantamentos. Nas empresas, quase dois terços, ou 64% dos processos, estão encerrados, num total de 18.600 casos.

A APS indica ainda que já foram pagos 530 milhões de euros em indemnizações, face a uma estimativa global de 1.300 milhões de euros. Só nas últimas duas semanas, as seguradoras pagam cerca de 85 milhões de euros e regularizam perto de 20 mil sinistros, a um ritmo médio próximo de seis milhões de euros por dia.

Segundo a associação, a maioria dos processos pendentes depende de fatores externos, como atrasos nas reparações, escassez de materiais ou demora na obtenção de orçamentos e documentação complementar. No segmento empresarial, muitos dossiês ainda em curso envolvem perdas operacionais complexas, avaliações técnicas especializadas, reconstruções demoradas ou dependência de vários intervenientes externos.

A associação acrescenta que as seguradoras já fizeram adiantamentos a 1.300 empresas e continuam disponíveis para reforçar esse apoio quando houver situações de maior urgência financeira.

Impacto económico e pressão sobre o setor

As depressões Kristin, Leonardo e Marta provocam pelo menos 19 mortos em Portugal entre o final de janeiro e o início de março, além de várias centenas de feridos, desalojados e deslocados. Mais de metade das mortes é registada durante trabalhos de recuperação.

Os temporais atingem o território continental durante cerca de três semanas, com maior incidência nas regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo. O episódio causa destruição total ou parcial de milhares de casas, empresas e equipamentos, além de quedas de árvores e estruturas, cortes de energia, água e comunicações, inundações e cheias.

Os prejuízos globais superam cinco mil milhões de euros, o que mantém elevada a pressão operacional e financeira sobre o setor segurador. A evolução dos processos empresariais mais complexos deverá continuar a pesar no calendário de liquidação das indemnizações.

Na nossa publicação, abordámos os atrasos recorrentes na chegada de apoios públicos e na reconstrução após desastres naturais em Portugal, sublinhando o desfasamento entre anúncios oficiais e a execução efetiva das medidas. O texto destacava que esta demora prolonga as dificuldades de famílias e empresas, travando a recuperação local e agravando a fragilidade económica. Também analisámos uma linha de crédito do Governo para empresas do setor florestal após a tempestade Kristin, apontando incertezas sobre o grau de concretização das promessas anteriores.

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