Operação Marquês mantém foco em alegado branqueamento com depoimento de advogado em Lisboa

Operação Marquês mantém foco em alegado branqueamento com depoimento de advogado em Lisboa
Depoimento revela branqueamento

O julgamento da Operação Marquês prossegue em Lisboa com novo depoimento sobre movimentos de dinheiro e operações imobiliárias associados ao processo. Um advogado arguido confirmou a entrega de 10 mil euros ao motorista de José Sócrates a pedido de Carlos Santos Silva, mas sustenta que atuou sempre no exercício das suas funções e sem consciência de ilegalidade.

Destaques

  • Gonçalo Trindade Ferreira confirmou em tribunal ter entregue 10 mil euros a João Perna e administrado 200 mil euros num cofre bancário a pedido de Carlos Santos Silva.
  • O advogado responde por três crimes de branqueamento ligados a imóveis em Lisboa e Paris, com contratos supostamente usados para transferir fundos para José Sócrates.
  • O processo Operação Marquês envolve 21 arguidos e 117 crimes, com o julgamento iniciado em 03 de julho de 2025, centrando-se em corrupção e branqueamento entre 2005 e 2014.

Depoimento detalha entregas e cofre bancário

Como noticiou o Jornal de Negócios, Gonçalo Trindade Ferreira confirmou esta terça-feira, no Tribunal Central Criminal de Lisboa, que entregou um envelope com 10 mil euros a João Perna, motorista de José Sócrates, a pedido de Carlos Santos Silva, apontado pelo Ministério Público como alegado testa-de-ferro do antigo primeiro-ministro.

O advogado, de 50 anos, responde por três crimes de branqueamento de capitais. Dois dos factos imputados estão ligados ao tratamento da documentação da compra de imóveis na Grande Lisboa e em Paris, negócios que a acusação considera terem servido para fazer chegar dinheiro à esfera do ex-governante, enquanto o terceiro se refere a 200 mil euros guardados num cofre bancário.

Em tribunal, o arguido confirmou a existência desse cofre e afirmou que o montante pertencia a Carlos Santos Silva, funcionando como fundo de maneio para despesas empresariais numa fase anterior ao colapso do BES, quando, segundo descreveu, existiam trabalhadores em países como Brasil, Argélia e Venezuela. Também disse ter entregue envelopes à ex-mulher de José Sócrates entre 2005 e 2011, acreditando que continham documentação e não dinheiro.

Acusação centra-se em corrupção e branqueamento

Perante os juízes, Gonçalo Trindade Ferreira declarou ainda que tudo o que fez no âmbito dos negócios das casas em Lisboa e em Paris ocorreu na qualidade de advogado, incluindo a redação de um contrato de arrendamento com efeitos retroativos na capital francesa, em que Carlos Santos Silva surgia como senhorio e José Sócrates como inquilino. O arguido afirmou que nunca sentiu estar a cometer qualquer crime e insistiu que só conheceu pessoalmente o ex-primeiro-ministro na véspera da sua detenção, em novembro de 2014.

Para o Ministério Público, as quantias em causa pertenceriam na realidade a José Sócrates, e não a Carlos Santos Silva, resultando alegadamente de atos de corrupção. José Sócrates, Carlos Santos Silva, João Perna, Sofia Fava e Gonçalo Trindade Ferreira estão entre os 21 arguidos do processo, no qual são imputados, no total, 117 crimes económico-financeiros que os acusados têm, em geral, negado.

O ex-governante socialista responde, entre outros ilícitos, por três crimes de corrupção, por alegadamente ter recebido dinheiro para favorecer o grupo Lena, o Grupo Espírito Santo e o resort algarvio de Vale do Lobo. O julgamento teve início em 03 de julho de 2025, e os factos em análise reportam-se ao período entre 2005 e 2014.

Na nossa publicação anterior, abordámos a Operação Click&Go, na qual um suspeito detido em Lisboa ficou em prisão preventiva por um alegado esquema de branqueamento e abuso de cartão ligado à compra de bens para revenda. O caso, dirigido pelo Ministério Público e instruído no Tribunal de Fafe, destacou ainda o risco de fuga e a apreensão de equipamentos informáticos, documentação bancária e uma quantia em dinheiro como elementos relevantes para a investigação.

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