Investimento em infraestruturas de IA acelera e amplia vantagem de U.S. e China sobre a Europa
O reforço do investimento em centros de dados, energia e hardware para inteligência artificial aprofunda a disputa global entre os maiores grupos tecnológicos. No ano passado, esse esforço totalizou 400 mil milhões de dólares e, segundo a análise apresentada em Lisboa, deixa a Europa claramente atrás de U.S. e China.
Destaques
- As grandes empresas de IA dos U.S. e China aceleram investimentos em data centers, energia e hardware, ampliando sua vantagem sobre a Europa.
- A OpenAI projeta receitas de 13 mil milhões de dólares em 2025, abaixo da meta de 30 mil milhões, e teria de atingir 200 mil milhões em 2030 para justificar os investimentos.
- A concentração de capital, capacidade computacional e acesso energético reforça a liderança de U.S. e China em IA, enquanto a Europa vê riscos de perda industrial e tecnológica.
Corrida global por escala e retorno
Como relatou o Jornal de Negócios, Miguel Godinho de Matos, professor catedrático de sistemas de informação e gestão na Católica Lisbon School of Business & Economics, afirmou no Talk Moment dos Prémios Fundos 2026 da APFIPP e do Jornal de Negócios, em Lisboa, que as grandes empresas de IA estão a acelerar o investimento em infraestruturas de suporte. Esse esforço inclui data centers, energia para os alimentar e hardware, numa corrida liderada pelos chamados “hyperscalers”.O académico disse que a evolução dos modelos de linguagem avança a uma velocidade muito elevada e sustentou que a Europa está fora desta corrida. Na sua leitura, U.S. e China seguem estratégias distintas, com os primeiros mais associados a modelos pagos e a segunda a modelos abertos, enquanto na Europa o exemplo de maior visibilidade é a francesa Mistral.
Entre os grupos que beneficiam da escalada de adoção da IA estão OpenAI, Anthropic, Google e Microsoft. Ainda assim, Godinho de Matos alertou que permanece a dúvida sobre a capacidade destas empresas gerarem retorno suficiente para compensar a dimensão do investimento já realizado.
Pressão sobre receitas e impacto para a Europa
No debate, o especialista apontou a OpenAI como exemplo da incerteza financeira do setor. Segundo os números citados, a empresa passou de receitas de 3 mil milhões de dólares em 2020 para cerca de 13 mil milhões em 2025, abaixo da meta de 30 mil milhões de dólares.Godinho de Matos acrescentou que, para o volume de consumo de caixa esperado fazer sentido, a OpenAI teria de gerar cerca de 200 mil milhões de dólares em receitas em 2030. Considerou esse cenário possível, mas sublinhou que tal representaria um dos maiores casos de sucesso empresarial da história.
O enquadramento apresentado em Lisboa sugere que a concentração de capital, capacidade computacional e acesso a energia está a reforçar a posição competitiva de U.S. e China no setor da IA. Para a Europa, o atraso apontado no evento pode traduzir-se em menor peso industrial e tecnológico numa área que está a redefinir cadeias de valor e investimento.
Na nossa análise anterior sobre a pressão nas ações da Microsoft devido aos gastos com IA, destacámos que o mercado passou a questionar se a monetização do Copilot e dos serviços de IA conseguirá acompanhar o ciclo recorde de investimento em data centers e infraestrutura de GPUs. Também observámos que, apesar do crescimento forte do Azure, investidores têm deslocado o foco da “história da IA” para fluxo de caixa, margens e prazos de retorno. No mesmo contexto, mencionámos a diversificação do ecossistema de modelos — com menor dependência da OpenAI — como parte da tentativa de reduzir riscos e sustentar a lucratividade.
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