Semana bolsista em Portugal destaca ações da EDPR, recompra do BCP e ex-dividendo da Ibersol
A semana arranca com vários eventos com impacto potencial na negociação de ações em Lisboa, incluindo datas-chave para dividendos, entrega de novas ações e divulgação de indicadores económicos. Entre os destaques estão a remuneração acionista do BCP e da Ibersol, o programa de “dividend scrip” da EDPR e novos dados sobre inflação, desemprego e atividade na Zona Euro.
Destaques
- O BCP inicia quinta-feira um programa de recompra de ações até 407,5 milhões de euros, representando 2,84% da capitalização e integrando a distribuição de 90% dos resultados de 2023.
- A EDPR conclui na terça-feira o programa de 'dividend scrip', permitindo aos acionistas vender direitos por 0,124 euros ou receber 1 nova ação por cada 112 direitos.
- A Ibersol entra em ex-dividendo na sexta-feira para distribuir dividendo bruto de 0,7 euros por ação, totalizando 28,6 milhões de euros, pagamento previsto para 9 de junho.
Calendário empresarial e acionista da semana
Como noticiou o Jornal de Negócios, a agenda da semana concentra vários momentos relevantes para investidores em ações portuguesas, com foco em banca, energia e consumo. Na segunda-feira, as ações do Banco Comercial Português deixam de conferir direito ao dividendo bruto de 0,0344 euros por ação, referente ao exercício de 2025, cujo pagamento arranca em 3 de junho.Na terça-feira, a EDPR conclui o seu programa de “dividend scrip”, através do qual volta a remunerar os acionistas sob a forma de ações. Os detentores de títulos que tinham ações às 23:59 de 11 de maio receberam um direito de incorporação por cada ação e puderam optar entre vender esses direitos à empresa por 0,124 euros por direito, aliená-los no mercado ou mantê-los para receber novas ações, numa proporção de uma ação por cada 112 direitos.
Na quinta-feira, o BCP dá início ao programa de recompra de ações aprovado em 27 de maio, num montante até 407,5 milhões de euros, equivalente a 2,84% da capitalização bolsista do banco. A operação decorre até 4 de dezembro e integra a política anunciada pela instituição de distribuir 90% dos resultados do ano passado, repartidos entre 50% em dividendos e 40% em recompra de ações.
Na sexta-feira, a Ibersol entra em ex-dividendo, antes do pagamento previsto para 9 de junho. A empresa vai distribuir um dividendo bruto de 0,7 euros por ação, relativo ao exercício de 2025, num montante total de cerca de 28,6 milhões de euros, mantendo o nível de remuneração pago em 2025 por conta do exercício anterior.
Indicadores económicos sob escrutínio
A par dos eventos empresariais, a semana traz uma nova ronda de indicadores em Portugal e na Europa. A ACAP divulga na segunda-feira os dados das vendas automóveis de maio, depois de o mercado nacional ter crescido 14,4% em abril, para 24.969 unidades, acumulando uma subida de 10,2% nos primeiros quatro meses do ano, para 98.722 viaturas novas matriculadas.No mesmo dia, o INE publica os índices de produção industrial de abril e também os indicadores de volume de negócios, emprego, remunerações e horas trabalhadas no comércio. Ainda na Europa, o Eurostat apresenta a taxa de desemprego da Zona Euro em abril, enquanto a S&P Global Manufacturing divulga os PMI industriais de maio para Espanha, Itália, França e Alemanha.
Na terça-feira, a atenção desloca-se para a estimativa rápida da inflação de maio na Zona Euro. Em abril, a inflação homóloga do bloco acelerou de 2,6% para 3%, naquele que foi o terceiro mês consecutivo de subida dos preços no consumidor, num contexto em que a guerra no Irão agrava a pressão através do aumento dos preços dos combustíveis.
Nos U.S., a quarta-feira fica marcada pela publicação do Livro Bege da Reserva Federal, um documento que reúne a avaliação dos 12 bancos regionais sobre a evolução da economia norte-americana antes da próxima decisão de política monetária, agendada para 16 e 17 de junho. No mesmo dia, são também conhecidos os dados semanais sobre inventários de crude, gasolina e destilados.
Na sexta-feira, o foco volta-se para a Zona Euro, com a divulgação dos números finais do desemprego e da terceira estimativa do PIB do primeiro trimestre. A sessão inclui ainda dados de vendas a retalho em Itália, balança comercial e produção industrial em França, bem como o relatório semanal da Baker Hughes sobre o número de plataformas de petróleo e gás nos Estados Unidos.
Na nossa cobertura anterior sobre o PIB de Portugal no 1.º trimestre de 2026, destacámos que a economia cresceu 2,3% em termos homólogos, mas ficou estagnada face ao trimestre anterior, evidenciando uma perda de ritmo. Também sublinhámos a divergência entre a procura interna, apoiada pelo investimento associado ao PRR, e a deterioração do setor externo, num contexto de custos energéticos mais elevados e maior pressão sobre empresas e consumidores.
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