Imposto sobre bebidas açucaradas deixa de financiar SNS em Portugal

Imposto sobre bebidas açucaradas deixa de financiar SNS em Portugal
Imposto muda de destino

A receita do imposto sobre bebidas adicionadas de açúcar ou edulcorantes deixa de estar consignada à sustentabilidade do Serviço Nacional de Saúde a partir deste ano. A mudança no Orçamento do Estado de 2026 altera o destino de uma taxa que acumulou 500 milhões de euros em nove anos desde a sua criação, em 2017.

Destaques

  • O Governo de Portugal decidiu, no Orçamento do Estado de 2026, retirar a consignação do IABA ao SNS, sem debate público.
  • Em 2023, o imposto sobre bebidas açucaradas gerou 60,6 milhões de euros e, em nove anos, acumulou 500 milhões de euros em receita.
  • A receita do IABA deixará de financiar especificamente o SNS e passará a reforçar a receita fiscal geral do Estado, alterando o objetivo original da medida.

Alteração no destino da receita fiscal

Como noticiou o Público, o Governo decidiu no Orçamento do Estado de 2026 retirar a consignação do IABA ao SNS, sem debate público sobre o tema. Com esta alteração, a receita arrecadada com o imposto passa a integrar o conjunto geral dos impostos cobrados pelo Estado, em vez de seguir diretamente para o financiamento do serviço público de saúde.

O IABA foi criado em 2017 e tem sido associado ao objetivo de reforçar a sustentabilidade do SNS, além de incentivar a reformulação de bebidas com elevado teor de açúcar ou edulcorantes. O enquadramento seguia também a recomendação da Organização Mundial de Saúde para afetar este tipo de receita a políticas de saúde.

Impacto nas contas públicas e no setor da saúde

No ano passado, o imposto, conhecido popularmente como imposto "coca-cola", gerou 60,6 milhões de euros, segundo os dados mais recentes da Conta Geral do Estado. Ao longo de nove anos, a receita total desta tributação atingiu 500 milhões de euros.

A partir de agora, esse montante deixa de ter um destino específico dentro do sistema de saúde e passa a reforçar a receita fiscal geral do Estado. A mudança altera a lógica original da medida, que combinava uma função arrecadatória com uma finalidade de saúde pública e de apoio financeiro ao SNS.

Na nossa publicação anterior sobre a pressão no Serviço Nacional de Saúde (SNS) após o primeiro ano do Plano de Emergência e Transformação na Saúde, destacámos o agravamento das listas de espera para consultas e cirurgias e os atrasos na execução de uma parte relevante das medidas previstas. Também analisámos o impacto deste contexto no acesso aos cuidados, incluindo áreas críticas como oncologia e cardiologia, e o efeito nas dinâmicas financeiras do setor, com maior peso do privado e custos crescentes para os utentes.

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