Cabaz alimentar em Portugal atinge novo máximo e agrava pressão sobre orçamentos familiares
A subida continuada dos preços dos bens essenciais está a levar o cabaz alimentar monitorizado em Portugal para um novo recorde de 259,31 euros. O aumento reforça a pressão sobre os rendimentos das famílias numa altura em que a inflação da energia permanece elevada e os custos da alimentação continuam acima da evolução salarial de muitos agregados.
Destaques
- O custo do cabaz alimentar essencial em Portugal subiu 1,97 euros (0,77%) na última semana, acumulando 17,48 euros (7,2%) desde o início de 2024.
- Desde janeiro de 2022, o cabaz alimentar aumentou 71,61 euros (38%), resultando num encargo anual extra superior a 3.700 euros para famílias portuguesas.
- O índice de preços no consumidor atingiu 3,3% em maio de 2026, impulsionado por energia (+13,2%), com o BCE a prever revisão em alta da inflação devido ao petróleo.
Evolução do cabaz e pressão inflacionista
Segundo a DECO PROteste, e conforme destacado pelo The Portugal Post, o custo do cabaz de bens alimentares essenciais sobe 1,97 euros na medição semanal mais recente, ou 0,77%, após três semanas de estabilização, e acumula uma subida de 17,48 euros desde o início do ano, equivalente a 7,2%. Face a janeiro de 2022, os consumidores pagam agora mais 71,61 euros pelo mesmo conjunto de produtos, o que representa um aumento acumulado de 38%.A monitorização da associação acompanha preços nas principais cadeias de supermercados em categorias como carne, lacticínios, cereais, peixe e frescos. Para um agregado que gasta cerca de 260 euros por semana em compras alimentares, a subida acumulada dos últimos quatro anos traduz-se num encargo anual adicional superior a 3.700 euros, com maior peso sobre famílias de baixos rendimentos e pensionistas.
Os dados do Instituto Nacional de Estatística mostram que o índice de preços no consumidor em Portugal está nos 3,3% em termos homólogos em maio de 2026, enquanto a inflação subjacente se fixa em 2,2%. No mesmo período, a componente da energia acelera para 13,2%, a inflação dos produtos alimentares não transformados abranda para 5,7% e o índice harmonizado de preços no consumidor atinge 3,1%; os dados finais de maio estão previstos para 12 de junho.
Impacto nos consumidores e sinais externos
Os preços da energia continuam a ser um dos principais motores da pressão sobre os custos, num contexto de crude mais caro devido a tensões geopolíticas no Médio Oriente. Esse movimento propaga-se pelos transportes, pela produção agrícola e pelos fertilizantes, aumentando o custo final suportado pelos consumidores nas caixas dos supermercados.Philip Lane, economista-chefe do Banco Central Europeu, sinaliza esta semana que a instituição deverá rever em alta as projeções de inflação na reunião de junho, apontando os preços do petróleo como fator central desse agravamento. Se os níveis atuais se mantiverem, Portugal enfrenta um quadro de pressão externa prolongada sobre a inflação durante o resto de 2026.
Perante este cenário, muitas famílias estão a ajustar padrões de consumo, trocando marcas, comprando maiores quantidades e procurando retalhistas de desconto. As recomendações de comparação de preços e de aproveitamento de produtos sazonais ajudam a mitigar a fatura, mas não eliminam os fatores estruturais que continuam a empurrar o custo de vida para cima.
Na nossa publicação, analisámos o alerta da OCDE de que o conflito no Médio Oriente pode travar o crescimento mundial e acelerar a inflação, dependendo da duração e da intensidade das disrupções nas rotas comerciais e energéticas. O texto destacava que economias mais expostas a energia e comércio, como Portugal, ficam mais vulneráveis a aumentos de custos e a um enquadramento externo mais incerto para o investimento.
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