OCDE vê conflito no Médio Oriente a travar crescimento global e a pressionar inflação

OCDE vê conflito no Médio Oriente a travar crescimento global e a pressionar inflação
Conflito trava economia global

As tensões geopolíticas e energéticas no Médio Oriente estão a levar a OCDE a apontar para um crescimento mundial significativamente mais fraco este ano. A organização considera que a duração e a intensidade das perturbações nas rotas comerciais e energéticas serão decisivas para medir o impacto final na atividade económica e nos preços.

Destaques

  • OCDE alerta que o conflito no Médio Oriente pode desacelerar o crescimento global e aumentar a inflação, dependendo da duração e intensidade das disrupções.
  • Antes do agravamento geopolítico, a OCDE previa crescimento global de 3,4% em 2025, impulsionado por investimento em inteligência artificial e tarifas mais baixas nos U.S.
  • O novo cenário de risco pressiona economias dependentes de energia e comércio, como Portugal, com potenciais aumentos de custos e incerteza para o investimento industrial.

Perspetivas económicas sob pressão

Como noticiou o Jornal de Negócios, a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico alertou, em Paris, que o conflito no Médio Oriente está a testar a resiliência da economia global e deverá provocar uma desaceleração do crescimento acompanhada por maior inflação.

Após o Conselho Ministerial da OCDE, o secretário-geral Mathias Cormann afirmou em conferência de imprensa que a dimensão do choque sobre o crescimento e a inflação depende, em última análise, da duração e da intensidade das perturbações. A instituição apresentou na quarta-feira as suas mais recentes perspetivas económicas mundiais, incluindo para Portugal, e trabalha com dois cenários, um de interrupções temporárias e outro de disrupções prolongadas nas rotas comerciais e energéticas.

Cormann defendeu que um desfecho rápido do conflito favorece mais as perspetivas globais do que uma crise prolongada. A OCDE sublinhou também a necessidade de preservar um sistema de comércio internacional aberto e baseado em regras.

Contexto global e implicações para Portugal

Antes do início do conflito, a organização estava a rever em alta as projeções económicas para 2026 e 2027, depois de um crescimento global de 3,4% em 2025, acima do esperado. Esse movimento era sustentado, segundo a OCDE, pelo forte aumento do investimento associado à inteligência artificial e por um nível efetivo de tarifas nos U.S. inferior ao previsto um ano antes.

O novo agravamento geopolítico altera esse enquadramento e reforça os riscos para economias expostas a energia, comércio e cadeias logísticas internacionais. Para Portugal, incluído nas últimas perspetivas da OCDE, o cenário sugere um ambiente externo mais frágil, com potencial impacto sobre custos, procura externa e decisões de investimento industrial.

Na nossa publicação, o impacto da entrega de milhares de processadores Nvidia ao centro de dados Start Campus, em Sines, foi descrito como um fator que mexeu com os indicadores macroeconómicos no início de 2026, ao impulsionar o investimento em máquinas e equipamentos. O texto explicou que estas importações reforçam estatisticamente o PIB no trimestre de chegada, mas também agravam o défice comercial, enquanto Sines se consolida como polo europeu de infraestrutura de IA com novos investimentos e encomendas previstas até 2027.

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