INEM reforça financiamento com 30 milhões de euros para suportar subida dos custos das ambulâncias em Portugal

INEM reforça financiamento com 30 milhões de euros para suportar subida dos custos das ambulâncias em Portugal
INEM reforça resposta financeira

O sistema de emergência pré-hospitalar em Portugal enfrenta uma forte pressão financeira à medida que aumentam os encargos com as ambulâncias operadas por bombeiros voluntários e pela Cruz Vermelha Portuguesa. A injeção extraordinária de 30 milhões de euros no INEM visa cobrir aumentos contratuais já em vigor em 2025 e um novo agravamento previsto para 1 de julho de 2026.

Destaques

  • O INEM recebe um reforço de 30 milhões de euros para suportar a subida dos custos das ambulâncias e garantir continuidade operacional em 2025.
  • A maioria da assistência pré-hospitalar em Portugal depende de bombeiros e Cruz Vermelha, tornando crucial a estabilidade financeira dos protocolos assegurados pelo financiamento extra.
  • O relatório de auditoria de julho de 2025 identificou fragilidades no modelo de aquisição de viaturas e recomenda revisão da rede de 520 ambulâncias e dos custos de ativação.

Impacto no serviço e fragilidades do modelo

Para os utentes, o acesso ao 112 e ao socorro pré-hospitalar mantém-se sem custo direto, mas a necessidade deste reforço evidencia a crescente pressão sobre a sustentabilidade da resposta de emergência. Bombeiros e Cruz Vermelha asseguram cerca de 90% da assistência pré-hospitalar em Portugal, o que torna a estabilidade financeira destes protocolos central para a continuidade do serviço.

O aumento dos subsídios traduz também um reconhecimento mais próximo dos custos reais suportados por estas entidades, com potencial efeito positivo no recrutamento e retenção de operacionais. Ao mesmo tempo, o Ministério da Saúde anunciou no final de maio que outros abonos previstos nos protocolos do INEM passam a ser indexados à inflação, acrescentando nova pressão sobre a despesa futura.

Uma auditoria concluída no fim de julho de 2025 identificou fragilidades estruturais no instituto, incluindo dúvidas sobre o modelo de aquisição de viaturas e sobre a adequação da rede atual de 520 ambulâncias às necessidades reais da população. O relatório recomendou ainda rever postos com baixa atividade e custos de ativação desproporcionados.

Segundo a mesma avaliação, as receitas próprias do INEM podem continuar a crescer abaixo da despesa mesmo com este reforço do Estado. O apoio de 30 milhões de euros surge, assim, como uma solução imediata para garantir continuidade operacional, mas deixa em aberto a necessidade de reformas mais profundas no financiamento e na organização da emergência médica em Portugal.

Na nossa publicação anterior sobre a reforma da contratação de médicos tarefeiros nas urgências do SNS, explicámos como o novo regime impõe períodos de incompatibilidade, define regras mais rígidas para estes contratos e cria incentivos para a dedicação plena. Também sublinhámos os riscos apontados por profissionais e entidades do setor, incluindo possíveis quebras de cobertura e maior pressão sobre hospitais em regiões do interior até ao fim do período transitório, em 2026.

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