Portugal reforça cooperação com Moçambique para travar pesca ilegal no Índico

Portugal reforça cooperação com Moçambique para travar pesca ilegal no Índico
Aliança contra pesca ilegal

Portugal está a avançar com a transferência de equipamentos de vigilância e conhecimento científico para Moçambique, numa iniciativa que liga cooperação marítima, investimento e proteção de recursos pesqueiros. O esforço surge num momento em que a pesca ilegal continua a custar mais de 400 milhões de dólares por ano ao sudoeste do oceano Índico e pressiona a segurança alimentar na África Austral.

Destaques

  • Portugal vai transferir equipamentos de fiscalização, sistemas de monitorização por satélite e protocolos marítimos para Moçambique, acelerando o combate à pesca ilegal no Índico.
  • A inauguração do Centro Regional de Monitorização da SADC em Katembe está marcada para 12 de junho de 2026 e visa coordenar esforços regionais de controlo pesqueiro.
  • Empresas portuguesas poderão beneficiar de menos barreiras administrativas e acesso ampliado à economia azul moçambicana, enquanto a região sofre perdas anuais superiores a $400 milhões devido à pesca ilegal.

Transferência de meios e cimeira em Lisboa

Segundo The Portugal Post, Lusa noticiou que Salvador Malheiro, secretário de Estado das Pescas e do Mar de Portugal, disse à margem da 3.ª Conferência da Economia Azul, em Maputo, que Lisboa pretende disponibilizar a Moçambique equipamentos de fiscalização, sistemas de monitorização por satélite e protocolos de controlo marítimo já testados por Portugal.

Segundo Malheiro, a proposta procura evitar duplicações de investimento e acelerar a resposta contra a pesca ilegal, não declarada e não regulamentada. O governante defendeu que a experiência portuguesa mostra que a legislação, por si só, não basta, sendo necessárias inspeções intensivas e campanhas de sensibilização dirigidas às frotas nacionais e estrangeiras.

A cooperação bilateral ganha nova relevância com a inauguração, em 12 de junho de 2026, do Centro Regional de Monitorização, Controlo e Vigilância das Pescas da SADC, em Katembe, Maputo. O Presidente moçambicano, Daniel Chapo, apresentou a nova estrutura como um instrumento de coordenação regional para proteger a soberania marítima e reforçar o combate a incursões ilegais.

Os dois governos preveem alinhar regras do setor, partilhar informação em tempo real entre autoridades marítimas e aproximar instituições científicas para acompanhar o estado dos stocks pesqueiros. A conferência de alto nível prevista para Lisboa no final de 2026 deverá formalizar calendários de transferência de meios, mecanismos conjuntos de coordenação e possíveis modelos de co-investimento em portos e logística de frio.

Impacto económico para empresas e exportações

Para empresas portuguesas interessadas na economia azul, a aproximação a Moçambique abre acesso a oportunidades em pesca sustentável, aquacultura, planeamento espacial marítimo e tecnologia de vigilância. O processo de harmonização regulatória também poderá reduzir obstáculos administrativos para investidores, empresários e expatriados portugueses que operam no mercado moçambicano.

O reforço da fiscalização tem ainda peso comercial mais amplo. União Europeia, U.S. e Japão exigem cada vez mais rastreabilidade completa do pescado, o que cria barreiras à exportação para países sem prova documental de origem legal e cumprimento de critérios de sustentabilidade.

Nesse contexto, ajudar Moçambique a cumprir padrões internacionais pode facilitar novos canais de exportação para a Europa e proteger o acesso a mercados de maior valor. Para Portugal, a parceria também reforça a sua presença diplomática no espaço lusófono africano e cria montra para estaleiros navais, fornecedores de tecnologia de monitorização e operadores ligados à fileira do mar.

A dimensão do problema mantém a pressão sobre a região. Iniciativas regionais estimam perdas superiores a 400 milhões de dólares por ano no sudoeste do Índico, enquanto embarcações de bandeira estrangeira continuam a representar parte relevante dos registos de pesca não autorizada ao largo da costa africana.

Na nossa publicação, analisámos como a energia e a transição energética estão a reforçar a competitividade de Portugal na atração de grandes projetos industriais, com Sines a concentrar um pipeline de investimento acima de 25 mil milhões de euros. O texto também destacou os riscos de um novo choque energético, com potenciais efeitos sobre inflação, juros e crescimento em 2026, bem como a necessidade de reforçar infraestruturas e capacidade logística para acompanhar essa expansão.

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