Banco de Portugal mantém projeções de crescimento e revê inflação em alta

Banco de Portugal mantém projeções de crescimento e revê inflação em alta
Crescimento e inflação revistos

Num contexto de tensão energética internacional e de abrandamento esperado na Zona Euro, o Banco de Portugal mantém a previsão de crescimento de 1,8% para a economia portuguesa neste ano. A instituição apenas agrava a perspetiva para a inflação anual e sustenta que o país está hoje mais preparado para absorver choques externos no setor da energia.

Destaques

  • Banco de Portugal mantém projeção de crescimento económico inalterada para 2024 e próximos anos, revisando apenas a inflação anual em alta.
  • O Banco de Portugal prevê o preço médio do petróleo em 82,9 euros por barril em 2026, refletindo expectativas de custos energéticos mais elevados.
  • O boletim destaca que Portugal beneficia de menor dependência energética externa e maior peso das renováveis, suportando resiliência económica face a riscos externos.

Projeções do BdP e enquadramento energético

Como noticiou o Jornal de Negócios, o Banco de Portugal deixou inalteradas as previsões de crescimento económico para este ano e os próximos, três meses depois das últimas projeções macroeconómicas. A atualização do novo Boletim Económico limita-se a uma revisão em alta da inflação anual, ao mesmo tempo que admite que esta não ultrapasse 3,1% em 2026.

As novas previsões são conhecidas poucas horas depois do anúncio de um acordo entre o Irão e os U.S. para prolongar o cessar-fogo por 60 dias, o que deverá permitir o restabelecimento do transporte de bens energéticos pelo estreito de Ormuz. Ainda assim, esse desenvolvimento não entra nos pressupostos do cenário agora divulgado, que continua a assumir efeitos contidos e temporários da atual crise.

No comunicado de apresentação do boletim, a equipa do BdP defende que o choque energético provocado pela guerra no Irão tem sido mais limitado do que em 2022. A instituição acrescenta que a economia portuguesa reúne melhores condições para enfrentar este tipo de embates, graças à menor dependência energética do exterior, ao maior peso das renováveis e a níveis de endividamento mais baixos.

Impacto para Portugal e contexto europeu

Entre os pressupostos das previsões está uma revisão em alta do preço médio do petróleo para 82,9 euros por barril em 2026. O cenário já incorpora também a recente revisão em baixa do crescimento esperado para a Zona Euro por parte do Banco Central Europeu, que aponta agora para uma subida de 0,8% do PIB no bloco da moeda única.

A leitura do banco central reforça a ideia de que a estrutura energética portuguesa pode funcionar como vantagem relativa na localização industrial, sobretudo num período em que os custos de energia continuam a pesar sobre as decisões empresariais. Ao mesmo tempo, a manutenção da projeção de crescimento sinaliza alguma resiliência da atividade económica nacional, apesar da persistência de riscos externos ligados à energia e ao enquadramento europeu.

Na nossa publicação, analisámos a suspensão de um ataque aéreo dos U.S. ao Irão e como esse recuo temporário reduziu, por agora, o risco de perturbações no fornecimento energético. O texto destacava o Estreito de Ormuz como ponto crítico para os mercados, explicando que uma escalada rápida poderia pressionar os preços do petróleo e do gás, aumentar custos de frete e seguros e afetar cadeias de abastecimento relevantes para Portugal e para a Europa.

Este material pode conter opiniões de terceiros, nenhum dos dados e informações nesta página constitui aconselhamento de investimento de acordo com o nosso Aviso Legal. Embora sigamos rigorosos Padrões Editoriais, este post pode conter referências a produtos de nossos parceiros.