Aljustrel avança com expansão mineira de 400 milhões de euros no Alentejo
O Governo português aprova uma expansão industrial de 400 milhões de euros na mina de Aljustrel, no Alentejo, num projeto que duplica a capacidade de processamento de minério e reforça o peso do país na corrida europeia aos minerais críticos. A inauguração está prevista para junho de 2026, após um ciclo de investimento iniciado em 2021 que combina verbas do PRR, energia solar no local e criação de emprego direto e indireto.
Destaques
- A expansão da mina de Aljustrel representa um investimento de 400 milhões de euros, duplicando a capacidade anual de 3 para 6 milhões de toneladas até junho de 2026.
- O projeto da ALMINA recebe 128 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência, inclui novas infraestruturas e central solar de 40.000 MWh por ano, reforçando objetivos ambientais e operacionais.
- A expansão gera 400 a 500 empregos diretos e acréscimo anual de 2 a 3 milhões de euros em receita fiscal municipal, com monitorização ambiental e remediação ao longo da próxima década.
Escala do investimento e calendário industrial
Conforme noticiado pelo ThePortugalPost, a expansão da mina de Aljustrel eleva a capacidade anual de processamento de cobre e zinco de 3 milhões para 6 milhões de toneladas, num dos maiores investimentos privados da década na mineração em Portugal. O projeto da ALMINA, Minas do Alentejo, inclui novas áreas de armazenagem, modernização dos circuitos de separação e flotação, tratamento de águas e uma central solar com produção anual de 40.000 MWh.O plano, desenvolvido ao longo de cinco anos, arranca em 2021 e tem inauguração prevista para junho de 2026. Entre os componentes já concluídos está uma instalação de britagem secundária de 11 milhões de euros, terminada em maio de 2024, concebida para reduzir poeiras fugitivas e apoiar o aumento de capacidade da operação.
O investimento recebe 128 milhões de euros do Plano de Recuperação e Resiliência, uma das maiores afetações a uma única unidade industrial. Humberto Costa Leite, presidente do conselho de administração da ALMINA, afirma que o projeto coloca a empresa na linha da frente da mineração moderna, ao combinar maior produção com metas ambientais e operacionais exigidas pela União Europeia.
A produção de Aljustrel alimenta cadeias industriais europeias ligadas ao automóvel, à energia e à indústria transformadora. Os concentrados de cobre seguem para fundições em Espanha e na Alemanha, enquanto os concentrados de zinco e chumbo, com traços de prata, integram acordos comerciais já existentes no mercado internacional.
Impacto regional, ambiente e estratégia nacional
Para o concelho de Aljustrel, com cerca de 7.500 habitantes, a expansão deverá traduzir-se em 400 a 500 empregos diretos na ALMINA, além de postos de trabalho indiretos em logística, equipamentos e serviços. Somam-se ainda 50 a 60 empregos ligados à oficina de reparação de equipamentos mineiros da EPIROC, e a autarquia estima um acréscimo anual de 2 a 3 milhões de euros em receita fiscal municipal ao longo da próxima década.O avanço industrial mantém, porém, a pressão sobre questões ambientais e sociais. Moradores relatam há anos vibrações associadas a detonações controladas, e a qualidade do ar continua no centro das preocupações, depois de um relatório da Universidade de Coimbra, em 2021, indicar concentrações de partículas PM10 e arsénio acima dos limites legais. Em resposta, a Câmara Municipal de Aljustrel e a CCDR Alentejo preveem instalar até dezembro de 2026 uma estação permanente de monitorização da qualidade do ar com dados em tempo real.
A empresa compromete-se também a financiar um gabinete de ligação à comunidade e a publicar dados mensais sobre qualidade do ar e atividade sísmica. Em paralelo, prossegue a remediação ambiental de passivos antigos, incluindo solos contaminados, escombreiras expostas e sistemas de tratamento de lixiviados, num esforço que se deverá prolongar pela década de 2030.
Num plano mais amplo, o projeto encaixa na estratégia portuguesa para ganhar peso no abastecimento europeu de matérias-primas críticas, num momento em que a União Europeia procura reforçar a extração e o processamento internos de minerais estratégicos. Com produção relevante de lítio, cobre e zinco, Portugal procura aproveitar a sua base geológica, a proximidade ao porto de Sines e novas metas industriais e energéticas para consolidar um polo mineiro de menor intensidade carbónica.
Na nossa publicação, analisámos como a competitividade energética de Portugal tem sido vista como uma vantagem para atrair investimento e localização industrial, num contexto europeu de custos elevados e reconfiguração das cadeias produtivas. Destacámos que empresas e investidores avaliam sobretudo custos e previsibilidade de abastecimento, embora persistam desafios como financiamento e regulação. Também referimos a aposta em acelerar licenciamentos e reduzir burocracia para reforçar a atratividade do país a novos projetos.
- Forex
- Crypto