Portugal pondera agravar IMI sobre casas vazias para aliviar pressão no mercado da habitação

Portugal pondera agravar IMI sobre casas vazias para aliviar pressão no mercado da habitação
Mais IMI para casas vazias?

Com mais de 725 mil casas devolutas e uma forte subida dos preços da habitação desde 2015, o debate sobre a mobilização de imóveis vazios ganha peso em Portugal. A proposta de reforçar penalizações fiscais sobre fogos desocupados surge enquanto arrendatários enfrentam escassez de oferta e dúvidas sobre a eficácia dos incentivos dados aos promotores.

Destaques

  • Rede H propõe à Comissão Europeia agravamento do IMI sobre casas devolutas, visando mobilizar milhares de apartamentos para venda ou arrendamento.
  • O relatório critica a aplicação desigual das penalizações e avaliações patrimoniais desatualizadas, sugerindo que uma atualização aumentaria significativamente as faturas de IMI.
  • Investidores e académicos alertam que medidas fiscais recentes, como incentivos ao IVA e mais-valias, beneficiam promotores sem efetiva redução das rendas ou aumento de habitação acessível.

Propostas fiscais para colocar casas vazias no mercado

Segundo o ThePortugalPost, académicos da Rede H defendem junto da Comissão Europeia um agravamento do Imposto Municipal sobre Imóveis, IMI, aplicado a habitações devolutas durante longos períodos, como forma de libertar milhares de apartamentos para venda ou arrendamento.

A rede de investigadores identifica dois bloqueios centrais no mercado, litígios sucessórios que mantêm imóveis parados durante anos e fundos de investimento imobiliário que retêm apartamentos fora do mercado para maximizar rendimentos. Embora a lei já preveja o aumento da taxa de IMI para casas vazias há mais de um ano, a aplicação continua desigual entre municípios e as avaliações patrimoniais desatualizadas limitam o efeito das penalizações.

A Comissão Europeia também defende uma mudança da pressão fiscal dos impostos sobre transações para tributos recorrentes que desincentivem a subutilização dos imóveis. O relatório assinala que Portugal tem uma das maiores proporções de habitação não principal na OCDE, reforçando o argumento de que o problema vai além do alojamento de curta duração.

Impacto para famílias e limites das atuais medidas

Um reforço das sobretaxas sobre casas vazias pode aumentar o incentivo para os proprietários venderem ou arrendarem imóveis, aliviando parte das restrições de oferta nas grandes cidades. Ainda assim, os investigadores alertam que o efeito para os inquilinos tende a ser limitado sem expansão da habitação pública e sem reformas administrativas que acelerem a colocação desses ativos no mercado.

A atualização das avaliações patrimoniais, também recomendada por Bruxelas, pode traduzir-se em faturas de IMI mais elevadas. Para senhorios com apartamentos desocupados, uma fiscalização mais apertada aumenta os custos de manter património improdutivo.

Os investigadores criticam ainda a gestão do património imobiliário do Estado, apontando que existem cerca de 15 mil edifícios excedentários sob controlo público, embora o inventário atual não seja claro. Desde 2024, o Governo transfere imóveis estatais para os municípios com vista à reabilitação, mas o avanço permanece lento face à procura habitacional, mesmo com verbas do Plano de Recuperação e Resiliência destinadas à reabilitação e construção.

Rede H e Comissão Europeia também questionam a eficácia de benefícios fiscais recentes dirigidos aos promotores, como IVA reduzido e incentivos sobre mais-valias. Na leitura dos críticos, estas medidas podem redirecionar capital sem baixar rendas de forma material nem aumentar a oferta verdadeiramente acessível, beneficiando sobretudo projetos que já avançariam de qualquer forma.

Portugal continua abaixo da média europeia na oferta de habitação pública e social. Os investigadores defendem mais investimento público, maior uso de mecanismos de apoio da União Europeia e maior participação de cooperativas, entidades sem fins lucrativos e iniciativas comunitárias, além de apoio mais direcionado a jovens, idosos, famílias monoparentais, imigrantes e trabalhadores essenciais afastados das zonas com mais emprego.

Nas nossas notícias anteriores sobre as negociações do Quadro Financeiro Plurianual 2028-2034 da União Europeia, explicámos que Portugal se juntou a outros 15 países do grupo “Amigos da Coesão” para travar cortes nas verbas da coesão e da agricultura. O texto salientava que, apesar de um reforço indicativo de cerca de 1,6 mil milhões de euros no envelope nacional, o resultado final continua dependente do equilíbrio global do orçamento e das novas fontes de receita europeias.

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