Conversas entre EUA e Irã adiadas enquanto perspectiva de trégua enfraquece
As conversas planejadas entre os EUA e o Irã na Suíça foram adiadas na sexta-feira, lançando dúvidas sobre se um frágil acordo provisório pode se tornar um acordo duradouro para o conflito no Oriente Médio. O atraso ocorreu quando o vice-presidente JD Vance cancelou os planos de viajar para o resort suíço de Bürgenstock, adicionando incerteza a uma janela diplomática de 60 dias aberta pelo acordo desta semana.
Destaques
- As conversas entre EUA e Irã na Suíça foram adiadas.
- Vance cancelou os planos de viajar para as negociações.
- O acordo provisório dá aos negociadores 60 dias para tratar do programa nuclear do Irã.
- Combates contínuos no Líbano ameaçam a trégua mais ampla.
Este artigo foi traduzido do original. Leia a versão original do nosso correspondente aqui.
Diplomacia desacelera após acordo provisório
A Suíça disse que as conversas não ocorreriam conforme o programado, embora permanecesse pronta para facilitar as negociações, e o trabalho preparatório em Bürgenstock continuasse. A Casa Branca atribuiu o atraso a questões logísticas, enquanto autoridades dos EUA haviam dito anteriormente que Vance e a delegação americana estavam preparados para partir assim que os preparativos fossem finalizados, informa a Reuters.
O Irã não confirmou imediatamente se seus negociadores viajariam. Antes do anúncio dos EUA, a agência de notícias semioficial Tasnim do Irã informou que Teerã queria ver sinais de que Washington estava implementando o acordo provisório antes de iniciar as conversas técnicas.
O adiamento complica a próxima fase de um memorando de 14 pontos assinado no início desta semana. O acordo estendeu um cessar-fogo tênue por pelo menos 60 dias e estabeleceu esse período como a janela para negociações sobre o programa nuclear do Irã, a menos que ambos os lados concordem com uma extensão. Também inclui incentivos econômicos, alívio de sanções e um fundo de reconstrução proposto de US$ 300 bilhões.
Israel e Líbano aumentam a pressão
O acordo também foi tensionado pelas operações militares contínuas de Israel contra o Hezbollah no Líbano. Israel não fez parte das conversas entre EUA e Irã e se distanciou do acordo, levantando questões sobre se um entendimento entre Washington e Teerã pode acabar com a guerra regional mais ampla.
Novos ataques israelenses no Líbano na sexta-feira mataram pelo menos 18 pessoas, de acordo com a agência de notícias estatal do Líbano, enquanto Israel disse que estava visando posições do Hezbollah. Mais de 1 milhão de pessoas foram deslocadas pelos combates no Líbano, e a continuação das hostilidades tornou-se um dos testes mais claros da estrutura de cessar-fogo proposta.
A guerra começou em 28 de fevereiro com ataques aéreos dos EUA e de Israel contra o Irã. Ela matou pelo menos 7.000 pessoas, elevou os preços da energia e perturbou os mercados globais.
Mercados de energia permanecem expostos
O atraso é importante porque o acordo está vinculado não apenas à diplomacia, mas também aos fluxos de energia. O Estreito de Ormuz transportava quase um quinto dos suprimentos globais de petróleo bruto e gás natural liquefeito antes da guerra. O Irã disse que manterá influência sobre a hidrovia com Omã e pretende cobrar taxas de serviço de navios após as conversas de 60 dias, embora não durante o período de negociação.
Os preços do petróleo caíram na quinta-feira quando os petroleiros começaram a se mover através do estreito reaberto, mas as conversas adiadas mostraram que o alívio do mercado permanece frágil. Um acordo duradouro precisaria resolver o programa nuclear do Irã, o alívio das sanções, os limites de mísseis, o Líbano e o status de Ormuz. Até lá, o cessar-fogo continua sendo um arranjo provisório em vez de uma paz duradoura.
Foi relatado anteriormente que os primeiros petroleiros cruzaram o Estreito de Ormuz após o acordo entre EUA e Irã.
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