IAG aumenta preços e trava expansão em Portugal com pressão de 2 mil milhões de euros no combustível
A subida dos custos do combustível está a pressionar as operações da IAG em 2026 e leva o grupo aéreo a rever em baixa as perspetivas de rentabilidade e crescimento. Para Portugal, o impacto pode refletir-se em tarifas mais altas nas ligações de longo curso e em menor oferta de lugares num mercado já condicionado pela privatização da TAP.
Destaques
- A IAG prevê um aumento de 2 mil milhões de euros nos custos de combustível até 2026, com a fatura a subir para cerca de 9 mil milhões.
- A empresa vai compensar cerca de 60% do impacto através de aumentos tarifários e travou a expansão de capacidade em 2026 de 3% para 1%.
- IAG abandonou a privatização da TAP devido a limitações accionistas e operacionais, deixando Air France-KLM e Lufthansa como candidatas preferenciais.
Custos energéticos agravam pressão operacional
Como noticiou o The Portugal Post, a IAG, dona da British Airways e da Iberia, estima que os custos com combustível representem um encargo adicional de 2 mil milhões de euros nas operações de 2026, num contexto de volatilidade petrolífera associada à instabilidade geopolítica no Médio Oriente.O presidente executivo, Luis Gallego, indica que a fatura total de combustível deverá atingir cerca de 9 mil milhões de euros em 2026, acima dos aproximadamente 7 mil milhões registados em 2025. Embora o grupo tenha coberto entre 62% e 70% das necessidades de combustível através de instrumentos de cobertura, a parte não protegida mantém a empresa exposta a novas oscilações de preços.
A gestão prevê compensar cerca de 60% deste agravamento com aumentos tarifários e maior controlo da despesa operacional. As cabines premium e as rotas de longo curso, incluindo ligações transatlânticas e para a América do Sul, deverão concentrar os maiores ajustamentos, com possível impacto para passageiros que partem de Lisboa ou usam os hubs de Madrid e Londres.
Ao mesmo tempo, a IAG reduziu a meta de crescimento de capacidade para 2026 de 3% para cerca de 1%. O travão resulta não só da pressão dos combustíveis, mas também dos atrasos nas entregas de aviões por parte da Boeing e da Airbus, problema que limita a expansão e obriga as companhias a manter aeronaves mais antigas e menos eficientes em operação durante mais tempo.
Impacto em Portugal e no dossiê TAP
A saída da IAG da corrida à privatização da TAP altera o quadro competitivo para o setor aéreo português. O grupo abandonou o processo no início de abril de 2026, defendendo que a estrutura desenhada pelo Governo, com manutenção de 50,1% do capital nas mãos do Estado, não oferece margem suficiente para controlo estratégico nem para integração operacional capaz de gerar o retorno exigido pelos acionistas.O processo de reprivatização lançado em julho de 2025 prevê a venda de até 49,9% da TAP, dos quais 44,9% para um parceiro estratégico e 5% para trabalhadores. Além da limitação acionista, a IAG avaliou como restritivas as exigências de preservação de Lisboa como hub estratégico, da marca TAP, do emprego e das rotas para o Brasil, África e América do Norte.
Com a desistência da IAG, Air France-KLM e Lufthansa permanecem como candidatas, depois de terem apresentado propostas não vinculativas até ao prazo de abril. O Conselho de Ministros português espera escolher um parceiro preferencial até agosto ou setembro de 2026.
Para os consumidores e investidores em Portugal, o quadro aponta para bilhetes mais caros nas rotas de longo curso, menor crescimento da oferta e possível redefinição da rede da TAP consoante o vencedor do processo. Apesar disso, a IAG entra em 2026 com base financeira robusta, depois de ter fechado 2025 com lucro líquido de 3,34 mil milhões de euros e receitas de 33,2 mil milhões, o que lhe dá margem para absorver parte do choque de custos sem cortes mais severos na operação.
Na nossa publicação anterior, analisámos a descida do Brent após um memorando de entendimento entre os EUA e o Irão, que ajudou a reduzir o prémio geopolítico associado ao Estreito de Ormuz. Indicámos que, se a cotação se mantivesse abaixo de 85 dólares por barril, poderia haver cortes de vários cêntimos por litro na gasolina e no gasóleo em Portugal, com impacto potencial na inflação, embora permanecessem riscos de reversão caso as negociações falhassem.
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