Polestar sai do mercado dos U.S. e reforça aposta no crescimento europeu
A Polestar vai deixar de vender novos modelos nos U.S. a partir do ano-modelo 2027, numa mudança regulatória que eleva a Europa, incluindo Portugal, ao centro da sua estratégia comercial. A decisão surge depois de as autoridades norte-americanas recusarem uma isenção à marca ao abrigo de regras que restringem veículos com software e hardware ligados à China ou à Rússia.
Destaques
- Polestar abandona o mercado dos U.S. após o Bureau of Industry and Security recusar isenção à Connected Vehicle Rule, dificultando a venda de veículos com software ou hardware chineses.
- A empresa direciona esforços para a Europa, que já representa 80% das suas vendas, e planeia fabricar o Polestar 7 regionalmente em 2028 para reduzir custos e evitar barreiras comerciais.
- A saída dos U.S., alinhada com movimentos semelhantes de XPeng e Nio, pressiona a revisão das cadeias de abastecimento no setor automóvel para atender às novas exigências regulatórias sobre software e hardware.
Reorientação estratégica e produção europeia
Como noticiou o The Portugal Post, o Bureau of Industry and Security do Departamento do Comércio dos U.S. recusou à Polestar uma isenção no âmbito da Connected Vehicle Rule, legislação finalizada em janeiro de 2025 que impede a circulação de veículos com software ou hardware chineses ou russos nas estradas norte-americanas. As restrições sobre software entram em vigor no ano-modelo 2027, enquanto as limitações sobre hardware avançam em 2030.A marca, de propriedade sueca mas controlada maioritariamente pela chinesa Geely Holding, fica assim sem acesso sustentável ao mercado norte-americano, ao contrário da Volvo Cars, que obteve aprovação para continuar a vender nos U.S. Analistas apontam para a maior presença industrial da Volvo nos Estados Unidos e para cadeias de abastecimento mais localizadas como fatores que podem explicar a diferença de tratamento.
O presidente executivo Michael Lohscheller apresenta a saída como um realinhamento estratégico. A empresa passa a concentrar-se na Europa, que já representa 80% das suas vendas globais, e planeia fabricar na região o SUV compacto Polestar 7, previsto para 2028, numa tentativa de reduzir custos, evitar barreiras comerciais e responder à pressão sobre o fluxo de caixa.
Impacto para Portugal e para o setor automóvel
Para os consumidores em Portugal, o efeito imediato deverá ser limitado, uma vez que a Europa já é o principal mercado da Polestar e a disponibilidade de modelos e serviços deverá manter-se. Os atuais proprietários nos U.S. continuam com garantia e manutenção asseguradas, enquanto na Europa o reforço da infraestrutura regional pode apoiar o acesso a peças e assistência ao longo do tempo.Do ponto de vista financeiro, a principal questão para compradores e investidores é se uma presença geográfica mais concentrada melhora a viabilidade da marca num mercado de veículos elétricos cada vez mais competitivo. A Polestar enfrenta concorrência de grupos como Tesla, Volkswagen e Stellantis, e o lançamento do Polestar 7 em 2028 tende a ser decisivo para a evolução do negócio.
O caso também reflete uma mudança mais ampla no setor. Marcas chinesas como XPeng e Nio abandonam planos de entrada nos U.S., enquanto fabricantes europeus e norte-americanos aceleram a revisão das cadeias de abastecimento para cumprir os novos requisitos regulatórios, especialmente em software, sistemas de gestão de baterias e componentes de conectividade.
Na nossa publicação, acompanhámos a reestruturação acelerada da indústria automóvel europeia e os seus efeitos em Portugal, num setor pressionado pela concorrência chinesa e pelos custos da eletrificação. O artigo destacava cortes e ajustes em grandes grupos como Renault e Volkswagen, além de impactos na cadeia de fornecedores, com exemplos como a Coindu a reduzir postos e a recorrer a lay-off. O pano de fundo é a necessidade de relocalizar e reinventar cadeias de abastecimento, competências e produção para manter competitividade num mercado em rápida transformação.
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