Economia portuguesa aponta para retoma do PIB no segundo trimestre

Economia portuguesa aponta para retoma do PIB no segundo trimestre
Retoma do PIB prevista

Após a estagnação registada no primeiro trimestre, a economia portuguesa deverá voltar a crescer até junho, sustentada por uma melhoria do sentimento económico e por sinais mais favoráveis na atividade. O avanço das exportações em abril reforça a expectativa de um contributo positivo da procura externa, embora persistam riscos ligados aos preços da energia e à instabilidade no Médio Oriente.

Destaques

  • O barómetro CIP/ISEG prevê retoma do crescimento em cadeia do PIB português no segundo trimestre, apoiado por indicadores de atividade e sentimento económico positivos.
  • As exportações portuguesas cresceram acima das importações em abril, revertendo tendência negativa desde o final de 2023 e reforçando a contribuição da procura externa líquida.
  • CIP aponta riscos relacionados ao impacto da subida dos preços da energia e à incerteza nas negociações sobre o estreito de Ormuz, recomendando cautela apesar dos sinais positivos.

Barómetro CIP/ISEG sustenta expectativa de retoma

Conforme avança o Jornal de Negócios, o barómetro CIP/ISEG antecipa para o segundo trimestre um desempenho globalmente positivo da economia portuguesa, que deverá traduzir-se no regresso do crescimento em cadeia do PIB, ainda sem indicar um valor antes da estimativa preliminar do Instituto Nacional de Estatística no final de julho.

As expectativas assentam na melhoria do sentimento económico desde maio, em Portugal e em vários dos principais parceiros europeus, bem como em indicadores de atividade mais favoráveis. As vendas industriais e dos serviços regressam a terreno positivo há dois meses consecutivos, com apoio forte das tecnologias de informação, enquanto o volume de negócios no retalho mantém crescimento.

Na procura interna, o barómetro identifica alguns sinais positivos, apesar de a confiança das famílias continuar em terreno bastante negativo e abaixo dos níveis anteriores à guerra no Irão. Entre esses sinais estão a subida homóloga de 10,5% nas vendas de ligeiros de passageiros em abril e o aumento de 5,8% nos pagamentos e levantamentos no mesmo período.

Procura externa e energia condicionam perspetiva

Os dados do início do trimestre também reforçam a possibilidade de a procura externa líquida voltar a contribuir para o crescimento da economia. Em abril, as exportações aceleram e crescem acima das importações, algo que não acontecia desde o final do ano passado, depois de uma quebra acentuada entre janeiro e fevereiro e de um desempenho mais fraco em março.

Apesar destes sinais, a CIP considera prematuro concluir que a economia sai de forma sustentada da estagnação. A confederação aponta como principais fatores de risco a forma como a subida dos preços da energia se transmite aos restantes preços e a incerteza em torno das negociações para resolver o bloqueio do estreito de Ormuz.

Rafael Alves Rocha, diretor-geral da CIP, defende cautela, afirmando que, mesmo que os mercados internacionais já incorporem a perspetiva de um acordo no Médio Oriente, as oscilações no processo negocial entre os U.S. e o Irão continuam a justificar prudência.

Na nossa publicação anterior sobre as perturbações no estreito de Ormuz e o impacto nos custos em Portugal, explicámos como a instabilidade na região tende a pressionar os preços do petróleo, dos combustíveis e da eletricidade através do mercado energético europeu. Também destacámos os efeitos em cadeia na inflação e nos custos para famílias e setores industriais, bem como a possibilidade de algum alívio caso o tráfego marítimo normalize, embora o risco dependa da evolução diplomática e da segurança das rotas.

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