Portugal revê população em alta com nova metodologia do INE e prepara impacto em emprego e PIB

Portugal revê população em alta com nova metodologia do INE e prepara impacto em emprego e PIB
População de Portugal revista

Portugal passa a contar oficialmente 11,4 milhões de habitantes após uma revisão em alta das estimativas populacionais com base em fontes administrativas. A mudança metodológica do Instituto Nacional de Estatística altera a leitura do mercado de trabalho e do crescimento económico desde 2021, ao mesmo tempo que agrava indicadores como o PIB per capita.

Destaques

  • Portugal's resident population revised up to 11.4 million for 2025, with 14% foreign nationals, after INE's methodology shift to administrative data.
  • Employment figures and aggregate economic growth since 2021 are set to rise, while per capita indicators like PIB per capita are likely to worsen.
  • INE prepares for 2031 Censos exclusively using administrative data, potentially eliminating survey filling and cutting costs from €50 million in 2021.

Nova base estatística acelera revisão demográfica

Como noticiou o Jornal de Negócios, o Instituto Nacional de Estatística revelou esta semana novas estimativas da população residente que incorporam dados de 2025 e uma revisão dos anos de 2021 a 2024 com uma nova metodologia. O total da população sobe para 11,4 milhões de pessoas, das quais 14% têm nacionalidade estrangeira.

O INE deixa de integrar dados de inquérito, como o inquérito ao emprego e as operações censitárias, e passa a apoiar-se em fontes administrativas já disponíveis. Entre elas estão registos civis, Autoridade Tributária, Segurança Social, Caixa Geral de Aposentações, Ministério da Educação, Instituto do Emprego e Formação Profissional e Agência para a Integração Migrações e Asilo.

Foi a integração de informação da AIMA, incluindo pedidos de autorização de residência, renovações e pedidos de asilo, que impulsionou a forte revisão em alta da população. O instituto defende que este modelo permite produzir dados mais atualizados, mais rápidos e com maior detalhe territorial, antecipando também a exigência europeia de medir a população por quilómetro quadrado nos próximos dois anos.

O organismo reconhece, ainda assim, limitações na fase atual. Neste ano, ficaram de fora dados do Ministério da Educação e do IRS por indisponibilidade, enquanto a ausência de inquéritos dificulta a medição de saídas de imigrantes, movimentos internos e da população sem abrigo sem morada administrativa.

Impacto económico e próximos censos

Os dados agora revistos deverão traduzir-se numa subida dos números do emprego e numa revisão mais favorável do crescimento económico desde 2021. Em sentido inverso, indicadores dependentes da dimensão da população, como o PIB per capita, tendem a deteriorar-se com a nova base estatística.

O INE afirma que a metodologia deverá melhorar a captação dos movimentos migratórios, sobretudo num contexto de forte crescimento da imigração, e reforçar a consistência entre diferentes bases de dados públicas. O instituto apresenta a transição como um processo de melhoria contínua, com integração futura de mais fontes de informação.

A alteração também prepara os próximos Censos, previstos para 2031, para um modelo assente apenas em dados administrativos. Se esse desenho avançar como previsto, os cidadãos deixam de ter de preencher o inquérito censitário, reduzindo custos num sistema em que os Censos de 2021 custaram cerca de 50 milhões de euros.

No nosso artigo anterior sobre o estudo da CIP e do Instituto Amaro da Costa sobre desenvolvimento e competitividade da economia portuguesa, explicámos que o trabalho, assinado por James A. Robinson e Nuno Palma, será apresentado em Lisboa e pretende apoiar a definição de medidas para reforçar o crescimento do país. Também destacámos o enquadramento do debate em torno de condições estruturais — como custos e previsibilidade da energia — que podem influenciar a atração de investimento e a localização industrial em Portugal.

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