Portugal reforça liderança renovável enquanto solar e eólica superam fósseis na UE
Os dados preliminares de 2025 colocam Portugal entre os mercados elétricos mais expostos a fontes limpas num momento em que a União Europeia atinge um marco inédito na transição energética. No conjunto do bloco, a eletricidade de origem renovável representa 47,3% da produção e, pela primeira vez, solar e eólica combinadas geram mais do que todos os combustíveis fósseis.
Destaques
- Segundo o Eurostat, em 2025 a oferta renovável na UE cresce 1,4% para 11,5 milhões de terajoules, com solar aumentando 24,6% face a 2024.
- A eletricidade renovável cobre 47,3% da geração total da UE em 2025, enquanto solar e eólica combinadas atingem 30%, superando fósseis (29%).
- O consumo de gás natural na UE sobe 2,3% para 13,1 milhões de terajoules em 2025, pressionando custos de importação e dificultando metas de descarbonização, sobretudo para Portugal.
Dados de 2025 e viragem no cabaz elétrico
Segundo o Eurostat, os números preliminares da energia em 2025 mostram que a oferta renovável na União Europeia sobe 1,4% em termos anuais, para 11,5 milhões de terajoules, apesar de condições meteorológicas adversas que penalizam a produção hidroelétrica.A energia solar cresce 24,6% face a 2024, impulsionada por nova capacidade instalada, e assume-se como a fonte renovável com expansão mais rápida. A produção renovável assegura 47,3% da eletricidade da UE, ligeiramente acima dos 47,2% do ano anterior, enquanto solar e eólica combinadas passam a representar 30% da geração elétrica, superando os combustíveis fósseis, com 29%.
Portugal surge neste contexto como um dos sistemas com maior peso relativo de eletricidade renovável, apoiado sobretudo em hídrica e eólica. Essa composição reduz a exposição direta do país à volatilidade dos mercados de gás natural em comparação com economias europeias mais dependentes de centrais a gás.
Impacto para Portugal e pressão sobre a transição
A evolução europeia não elimina, ainda assim, os riscos para consumidores e empresas em Portugal. O consumo de gás natural na UE sobe 2,3% em 2025, para 13,1 milhões de terajoules, refletindo o recurso a esta fonte como apoio às renováveis intermitentes e como compensação pela quebra da produção hidroelétrica.A geração hidroelétrica europeia cai 11,8% em 2025 devido à seca prolongada e a ondas de calor, com impacto nos níveis das barragens, sobretudo no segundo trimestre. Em paralelo, a produção a gás avança 8% no bloco, o que aumenta custos de importação e complica os calendários de descarbonização; em Portugal, a menor fiabilidade hídrica reforça a necessidade de investir em armazenamento, modernização da rede e gestão da procura.
No lado dos fósseis, o carvão recua para o nível mais baixo desde 1990, com a lenhite a cair 7,7% e o carvão hulha 3,2%, enquanto os produtos petrolíferos descem 2,8%. Apesar deste ajustamento estrutural, a UE continua abaixo da trajetória necessária para 2030, com a Comissão Europeia a sinalizar um défice de 1,5 pontos percentuais nas contribuições nacionais para a meta vinculativa de renováveis; para Portugal, isso aumenta a pressão para acelerar licenciamento, reforçar infraestruturas e preservar a vantagem competitiva em custos energéticos no longo prazo.
Na nossa publicação anterior sobre o papel do armazenamento de energia na estratégia energética europeia, explicámos como a elevada produção renovável, combinada com a ausência de reservas fósseis, tornou o armazenamento uma peça central para reduzir a exposição à volatilidade do gás e do petróleo. Também destacámos que Portugal pode reforçar a sua competitividade industrial se conseguir converter geração renovável em fornecimento estável e previsível, apoiado por investimento em infraestruturas. Este enquadramento ajuda a ler os dados mais recentes: com mais renováveis no cabaz, cresce igualmente a importância de soluções que garantam continuidade e controlo de custos.
Últimas notícias Eurostat
- Forex
- Crypto