PS pede audição ao INE sobre revisão da população e impacto nas contas económicas

PS pede audição ao INE sobre revisão da população e impacto nas contas económicas
PS e revisão populacional

A revisão do número de residentes em Portugal para 2025 intensifica o debate político sobre os efeitos estatísticos e económicos dos novos dados demográficos. O PS defende que a análise das estimativas do INE exige prudência antes de se retirarem conclusões sobre PIB, políticas públicas e preparação do Orçamento do Estado.

Destaques

  • INE atualizou a população residente em Portugal para 11.424.031 pessoas, incluindo 1.597.539 cidadãos estrangeiros, gerando pedidos de esclarecimento sobre metodologia.
  • PS solicitou audição parlamentar do INE para explicar o método de revisão demográfica, calendário e implicações estatísticas, económicas e orçamentais entre 2021 e 2025.
  • Carlos Pereira espera impacto positivo no PIB e possível revisão em alta do indicador, mas alerta que dimensão do ajustamento depende das contas finais do INE.

Pedido de esclarecimento sobre metodologia e revisões

Segundo Jornal de Negócios, segundo declarações de Carlos Pereira à Lusa, o PS pediu esta segunda-feira a audição parlamentar do Instituto Nacional de Estatística para clarificar a metodologia usada nas estimativas da população residente em 2025 e as dificuldades sentidas no processo. O deputado socialista diz que o objetivo é garantir um debate público feito com prudência e rigor, sublinhando a independência da autoridade estatística.

Em causa está a atualização pelo INE do número de residentes em Portugal para 11.424.031 pessoas, incluindo 1.597.539 cidadãos estrangeiros. Carlos Pereira considera importante que o instituto explique à Assembleia da República e ao público em geral que metodologia utilizou e que obstáculos encontrou, incluindo na partilha de informação com a AIMA.

O deputado critica ainda o que descreve como "contas muito primárias" feitas por responsáveis políticos a partir destes dados, numa referência a declarações do ministro António Leitão Amaro. Na sua leitura, dividir o PIB atualmente conhecido pela nova população estimada é uma abordagem pouco prudente e até irresponsável, porque a alteração da base populacional também pode ter consequências na medição do crescimento da riqueza.

Implicações para PIB, séries estatísticas e Orçamento do Estado

Carlos Pereira admite esperar um impacto positivo no PIB e uma revisão em alta do indicador, embora sustente que ainda não é possível antecipar a dimensão desse ajustamento antes das contas finais do INE. O socialista quer também conhecer o calendário das próximas revisões, nomeadamente das séries entre 2021 e 2024, por considerar esse processo relevante para a leitura da economia.

O requerimento do PS pede a audição do presidente do INE, António Rua, com possibilidade de ser acompanhado pela diretora do departamento de Estatísticas Demográficas e Sociais e pelo diretor do departamento de Contas Nacionais. O objetivo é abordar as estimativas de população residente de 2025, a revisão das séries de 2021 a 2024 e as respetivas implicações estatísticas, económicas e orçamentais.

Segundo o deputado, a solidez destes dados ganha peso adicional com a proximidade do Orçamento do Estado, que necessita de indicadores em que haja confiança. A divulgação das novas estimativas já leva também o PSD a anunciar pedidos de audições parlamentares de ex-ministros do PS sobre o mesmo tema.

Na nossa publicação, analisámos a revisão do INE que atualizou a população residente em Portugal para cerca de 11,4 milhões no fim de 2025, incorporando aproximadamente 1,6 milhões de residentes estrangeiros nas estatísticas oficiais. Explicámos que a nova base demográfica, construída com cruzamento de dados administrativos, pode obrigar a recalcular indicadores per capita (como PIB e produtividade), afetar leituras sobre fundos europeus e exigir revisões das séries e das contas nacionais nos próximos anos.

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