Transtejo Soflusa lança ligação fluvial Almada-Oeiras em fase de teste
A mobilidade no estuário do Tejo ganha uma nova ligação direta entre a margem sul e Oeiras, numa tentativa de reduzir tempos de deslocação e evitar os principais estrangulamentos rodoviários da área metropolitana de Lisboa. O serviço diário arranca a 9 de julho e funciona durante seis meses em regime experimental, coincidindo com o aumento da procura associado ao festival NOS Alive em Algés.
Destaques
- Transtejo Soflusa lançou a nova ligação fluvial diária Almada-Oeiras, a primeira rota regular desde 1997, com passes Navegante válidos e sem custos adicionais.
- A operação coincide com o NOS Alive, entre 9 e 11 de julho, e o período experimental de seis meses avaliará procura, regularidade e impacto na redução de automóveis.
- A empresa investiu mais de 5 milhões de euros em manutenção da frota nos últimos sete meses e cita benefícios ambientais ligados à frota elétrica que poupou 1,74 milhões de litros de gasóleo num ano.
Novo serviço fluvial e calendário de operação
Como noticiou o Portugal Post, a Transtejo Soflusa avança com uma nova carreira fluvial entre os terminais da Trafaria e de Porto Brandão, em Almada, e Pedrouços/Algés, em Oeiras, naquela que é a primeira nova ligação regular criada pela operadora pública desde 1997.A nova rota passa a funcionar diariamente, sete dias por semana, e permite aos passageiros da margem sul chegar a Oeiras sem atravessar o centro de Lisboa. Até agora, este percurso em transporte público exigia normalmente uma ligação a Cais do Sodré e depois comboio ou autocarro para oeste, ou em alternativa deslocação rodoviária pelas pontes 25 de Abril ou Vasco da Gama, ambas sujeitas a congestionamento.
Segundo a empresa, todos os passes Navegante já em vigor mantêm validade nesta ligação, sem necessidade de alterações tarifárias adicionais. A operação coincide com o NOS Alive, entre 9 e 11 de julho, o que deverá reforçar a procura nas ligações para Algés, sobretudo ao fim da tarde e à noite.
Rui Rei, presidente da Transtejo Soflusa, descreve o arranque como mais do que uma extensão da rede, apresentando-o como um sinal do compromisso da empresa com o futuro da mobilidade. A experiência de seis meses serve para avaliar volume de passageiros, regularidade da operação e capacidade de retirar automóveis das travessias rodoviárias.
Impacto esperado na mobilidade e na operação
A ligação representa uma aposta numa procura intermunicipal que contorna Lisboa e aproxima zonas residenciais da margem sul de um concelho com forte concentração de empresas de tecnologia, farmacêuticas e serviços. Em sentido inverso, residentes em Oeiras passam a ter acesso mais direto a eventos, praias e comércio na margem sul.Do ponto de vista ambiental, a empresa enquadra a expansão como parte da estratégia de mobilidade sustentável apoiada na frota elétrica. No último ano, essa frota poupou 1,74 milhões de litros de gasóleo e evitou emissões equivalentes a 87 mil viagens de ida e volta de automóvel entre Lisboa e Porto, embora o benefício adicional desta nova carreira dependa do número de passageiros que substituam o carro pelo transporte fluvial.
O teste surge também num momento de reforço operacional. A Transtejo Soflusa investiu mais de 5 milhões de euros na manutenção da frota nos últimos sete meses, recuperando embarcações paradas para suportar o alargamento do serviço. Em paralelo, no final de junho, a operadora lançou uma ligação Seixal-Barreiro-Cais do Sodré aos sábados, igualmente com embarcações 100% elétricas, sinalizando uma estratégia mais ampla de integração da mobilidade na margem sul.
O período experimental termina em janeiro de 2027. Se a procura atingir as metas internas da operadora, a carreira poderá tornar-se permanente e até ganhar ajustamentos de frequência; se a adesão ficar aquém do esperado, a empresa poderá reduzir ou cancelar a operação.
A mudança no modelo de compensação do passe gratuito para jovens até aos 23 anos foi um tema que a nossa publicação acompanhou, com o Governo a criar um sistema de adiantamentos mensais para tornar mais regulares os pagamentos aos operadores. A portaria coloca a Entidade do Tesouro e Finanças a transferir verbas até dia 15, com base numa média do ano anterior e acertos mensais posteriores, respondendo às queixas de atrasos. A medida pretende dar maior previsibilidade financeira ao setor e apoiar a continuidade de serviços de transporte público.
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