Apple processa OpenAI por alegado roubo de segredos comerciais, pressão aumenta sobre expansão em hardware

Apple processa OpenAI por alegado roubo de segredos comerciais, pressão aumenta sobre expansão em hardware
Apple vs OpenAI: disputa legal

A disputa judicial entre Apple e OpenAI expõe novos riscos legais na corrida global pela inteligência artificial e pelo hardware de consumo. O caso, apresentado num tribunal federal da Califórnia, pode afetar os planos de expansão da OpenAI e reforça alertas sobre proteção de propriedade intelectual para empresas tecnológicas em Portugal.

Destaques

  • Apple processa a OpenAI por alegado roubo de segredos comerciais através de ex-executivos Tang Tan e Chang Liu, conforme ação no tribunal de San Jose.
  • OpenAI adquiriu a io Products, cofundada em 2024 por Jony Ive e Tang Tan, por $6,5 mil milhões em maio de 2025, integrando Tan na liderança de hardware.
  • O litígio pode atrasar o roteiro de hardware da OpenAI, avaliada em $852 mil milhões, e impactar planos de IPO devido ao pedido de medidas cautelares da Apple.

Queixas da Apple e alcance do processo

Segundo The Portugal Post, a apresentar o caso com base na queixa judicial, a Apple acusa a OpenAI de ter promovido uma estratégia coordenada para obter informação confidencial através de antigos trabalhadores, segundo o processo entregue no tribunal federal de San Jose, na Califórnia.

De acordo com a queixa, Tang Tan, antigo vice-presidente de design de produto do iPhone e do Apple Watch até 2024, terá enviado documentos da cadeia de fornecimento para um email pessoal antes de sair. A Apple diz ainda que a sua investigação interna concluiu que Tan incentivou candidatos ainda empregados na empresa de Cupertino a levar componentes físicos para entrevistas na OpenAI, apresentando esses encontros como sessões de demonstração.

As acusações contra Chang Liu são mais amplas. A Apple alega que, após sair da empresa em 2026, Liu explorou uma vulnerabilidade de autenticação na rede corporativa para aceder remotamente ao posto de trabalho de um antigo colega e descarregar mais de 1.000 páginas de documentos técnicos, incluindo esquemas de placas complexas usadas em hardware ainda não lançado.

A ação liga estes episódios à io Products, startup de hardware cofundada em 2024 por Jony Ive, Tang Tan, Evans Hankey e Scott Cannon. A OpenAI comprou a io Products em maio de 2025 por 6,5 mil milhões de dólares, na sua maior aquisição até agora, integrando Tan na liderança da divisão de hardware e mantendo a LoveFrom com supervisão criativa dos produtos.

Num comunicado sucinto, um porta-voz da OpenAI afirma que a empresa não tem interesse nos segredos comerciais de outras companhias e que continua a analisar as alegações. A empresa não respondeu diretamente ao conteúdo das acusações sobre a conduta atribuída a Tan e Liu.

Impacto para Portugal e para o setor tecnológico

Para o setor tecnológico português, o caso sublinha fragilidades relevantes na proteção de propriedade intelectual, sobretudo em empresas que recrutam talento vindo de concorrentes. Cláusulas de não concorrência, acordos de confidencialidade duradouros e procedimentos imediatos de revogação de acessos ganham maior importância num contexto de crescimento dos polos de Lisboa e Porto.

O enquadramento legal português permite cláusulas de não concorrência, mas limita a sua aplicação e exige compensação financeira para serem executáveis. Em paralelo, a proteção de segredos comerciais no quadro europeu e nacional reforça a necessidade de controlos internos, monitorização de acessos e registos que possam sustentar litígios futuros.

O processo também surge numa fase sensível para a OpenAI, cuja avaliação privada ronda 852 mil milhões de dólares e cujos planos de entrada em bolsa podem ser escrutinados com mais rigor por investidores. A Apple pede medidas cautelares para impedir o uso dos seus segredos comerciais, além de compensação monetária não especificada, o que pode atrasar o roteiro de hardware da OpenAI se o tribunal aceitar esse pedido.

A relação entre as duas empresas também se deteriora depois da parceria anunciada em junho de 2024 para integrar o ChatGPT no iOS, iPadOS e macOS através das funcionalidades Apple Intelligence. Agora, a Apple sustenta que os factos descritos no processo podem ser apenas uma parte do problema, ao mesmo tempo que reconhece que mais de 400 ex-funcionários seus trabalham atualmente na OpenAI.

Para investidores e empresas em Portugal, o litígio funciona como aviso sobre risco operacional e jurídico num mercado em que a mobilidade de talento é elevada. À medida que o país tenta consolidar-se como polo europeu de inteligência artificial, o caso reforça que crescimento, contratação agressiva e expansão tecnológica exigem mecanismos de conformidade tão robustos quanto a ambição comercial.

A nossa publicação já analisou o abrandamento da atividade inovadora das empresas em Portugal no triénio 2022-2024, apesar de os níveis continuarem acima dos registados antes de 2018. O destaque foi para a concentração da inovação e da despesa em regiões como a Grande Lisboa e o Norte, e para o maior peso das empresas de grande dimensão e de setores mais tecnológicos, num contexto em que também cresce a aposta em inovação com benefícios ambientais.

Este material pode conter opiniões de terceiros, nenhum dos dados e informações nesta página constitui aconselhamento de investimento de acordo com o nosso Aviso Legal. Embora sigamos rigorosos Padrões Editoriais, este post pode conter referências a produtos de nossos parceiros.