Petroprix sob escrutínio em Espanha por importações de gasóleo via Marrocos
O aumento das entradas de gasóleo marroquino em Espanha está a intensificar o escrutínio sobre a origem do combustível e o cumprimento das sanções da União Europeia à energia russa. A Petroprix, que também acelera a expansão em Portugal, é apontada por operadores do setor como destinatária de alguns carregamentos sob investigação.
Destaques
- Petroprix está sob investigação do Ministério para a Transição Ecológica de Espanha por possíveis importações de gasóleo russo trianguladas via Marrocos, sem irregularidades comprovadas até o momento.
- Em 2024, a Petroprix expandiu-se para Portugal com 14 postos e anunciou a aquisição de 40 estações da Eroski, projetando chegar a 300 postos e €1,4 mil milhões em faturação até 2027.
- Dados da Kpler indicam que Marrocos importou 645 mil toneladas de gasóleo russo em 2025 e 489 mil toneladas em 2026, representando 45% das importações marroquinas deste combustível.
Suspeitas sobre carregamentos e investigação oficial
Segundo o Jornal de Negócios, citando o El País, vários operadores do setor petrolífero apontam a Petroprix como destinatária de carregamentos de gasóleo provenientes de Marrocos cuja origem poderá ser russa, numa eventual triangulação destinada a contornar as sanções europeias.Segundo o jornal espanhol, nos últimos dois meses entraram em Espanha quatro navios com gasóleo proveniente dos portos de Tânger e de um terminal próximo de Casablanca, citando registos da Corporação de Reservas Estratégicas de Produtos Petrolíferos, CORES. As fontes ouvidas identificam a Petroprix como destinatária do combustível transportado pelo Aldebaran, que chegou ao terminal da Exolum, em Bilbau, a 22 de maio, bem como de carregamentos descarregados pelos navios Sea Dragon, em Bilbau, e Kriti Episkopi, em Barcelona.
Contactada pelo El País, a Petroprix recusou comentar as alegações. O Ministério para a Transição Ecológica de Espanha abriu uma investigação sobre estas importações, mas ainda não conseguiu demonstrar qualquer irregularidade.
Expansão da rede e impacto para o mercado ibérico
As suspeitas surgem num momento de crescimento da cadeia na Península Ibérica. A Petroprix entrou em Portugal em 2024 e conta atualmente com 14 postos de abastecimento no país, segundo informação divulgada esta terça-feira pela empresa, que prevê continuar a expandir a rede.Também esta terça-feira, a empresa anunciou a aquisição de 40 postos da Eroski. Com a conclusão do negócio até ao final do ano, passará a operar 245 estações de serviço em Espanha, Portugal, Chile e Panamá, com a meta de alcançar 300 postos e uma faturação de cerca de 1,4 mil milhões de euros em 2027.
O El País cita ainda dados da Kpler segundo os quais Marrocos importou 645 mil toneladas de gasóleo russo em 2025. Em 2026, as compras já atingem 489 mil toneladas, o equivalente a cerca de 45% das importações marroquinas deste combustível, enquanto relatórios do Centre for Research on Energy and Clean Air documentam alegadas operações de triangulação através de países terceiros.
Fontes da Associação da Indústria dos Combustíveis de Espanha defendem o combate a eventuais fraudes no setor, incluindo a importação de combustíveis com origem possivelmente ilícita. Já fontes do setor independente de postos low cost rejeitam as suspeitas e afirmam que a descarga de grandes navios em terminais estratégicos, seguida da redistribuição do produto, corresponde a uma prática habitual no comércio internacional.
Na nossa publicação anterior sobre os preços do gasóleo em Portugal, analisámos que o valor médio na bomba ficou 42 dias consecutivos acima do “preço eficiente” calculado pela ERSE até 5 de julho de 2026. Também destacámos que os descontos tornam-se decisivos para alguns consumidores pagarem abaixo desse referencial e que existe uma assimetria na transmissão de custos, com subidas a refletirem-se mais depressa do que descidas.
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