Mercados acompanham risco em Ormuz e nova liderança na Pharol
Os mercados acompanham esta quarta-feira uma agenda dominada por risco geopolítico, resultados empresariais e indicadores macroeconómicos na Europa e nos Estados Unidos. O início de um novo bloqueio naval norte-americano ao Irão no estreito de Ormuz agrava a pressão sobre o petróleo, enquanto investidores também avaliam contas de empresas e mudanças de gestão na Pharol.
Destaques
- A entrada em vigor do bloqueio naval dos U.S. ao Irão no estreito de Ormuz nesta terça-feira eleva o risco geopolítico e impulsiona os preços do crude.
- O Eurostat divulga os dados da produção industrial da Zona Euro em maio, após crescimento de 0,30% em abril, enquanto Espanha anuncia inflação de junho.
- A Pharol propõe João Moreira Rato como novo presidente após a renúncia de Luís Palha da Silva, influenciando a perceção de estabilidade na empresa.
Risco geopolítico e agenda macroeconómica do dia
Como noticiou o Jornal de Negócios, o novo bloqueio naval dos U.S. ao Irão no estreito de Ormuz entra em vigor na noite de terça-feira e reforça os receios de novas perturbações numa das principais rotas marítimas do comércio mundial de petróleo. A medida abrange portos iranianos, terminais petrolíferos, áreas costeiras e todos os navios, independentemente da bandeira, num contexto em que os preços do crude voltam a subir com o reacender das tensões no Médio Oriente.Neste enquadramento, a Administração de Informação em Energia, sob tutela do Departamento da Energia dos U.S., divulga os níveis da semana passada dos inventários de crude, bem como os stocks de destilados e gasolina. Na Europa, o Eurostat publica os dados de maio da produção industrial da Zona Euro, depois de o indicador ter aumentado 0,30% em abril de 2026 em termos homólogos, enquanto Espanha divulga os valores da inflação de junho.
O foco monetário e regulatório mantém-se também elevado. Kevin Warsh comparece perante o comité bancário do Senado para o balanço semestral do banco central dos U.S., ao qual preside desde maio, enquanto o secretário do Tesouro, Scott Bessent, lidera uma reunião do Conselho de Supervisão da Estabilidade Financeira sobre riscos geopolíticos, inteligência artificial e estabilidade financeira; na Europa, Fábio Panetta intervém na reunião anual da Associação Bancária Italiana, em Roma, e os mercados seguem ainda uma intervenção de Joachim Nagel, presidente do Bundesbank.
Resultados empresariais e reação dos investidores
A época de resultados ganha ritmo e coloca em destaque empresas com peso na leitura do sentimento de mercado. A tecnológica neerlandesa ASML apresenta contas nesta quarta-feira, num teste ao apetite dos investidores por cotadas ligadas à inteligência artificial, ao lado de grupos norte-americanos como Morgan Stanley e United Airlines.Na sessão anterior, divulgaram resultados alguns dos maiores bancos de Wall Street, incluindo JPMorgan, Citigroup, Wells Fargo, Goldman Sachs e Bank of America. A sequência de apresentações mantém os investidores focados na solidez das receitas, nas perspetivas para o crédito e no impacto das taxas de juro sobre o setor financeiro.
Em Lisboa, a Pharol surge entre os temas empresariais em destaque depois de ter sido proposta a nomeação de João Moreira Rato para presidente da companhia. De acordo com um comunicado enviado à CMVM no final de terça-feira, o antigo presidente do IGCP e atual líder do Instituto Português de Corporate Governance substitui Luís Palha da Silva, que renuncia ao mandato por razões pessoais, deixando o mercado a avaliar o efeito da mudança na cotada.
Na nossa análise anterior sobre a valorização do WTI com os riscos no Estreito de Ormuz, destacámos que a escalada entre os EUA e o Irão voltou a colocar em evidência a possibilidade de interrupções prolongadas na oferta e no transporte marítimo de crude. Explicámos também que, como uma fatia relevante do comércio mundial de petróleo passa por esta rota, qualquer restrição tende a refletir-se rapidamente nos preços, no prémio de risco geopolítico e nas expectativas de inflação.
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