Savannah conclui estudo de viabilidade para mina de lítio em Boticas

Savannah conclui estudo de viabilidade para mina de lítio em Boticas
Viabilidade do lítio em Boticas

O projeto de lítio do Barroso avança com a conclusão do Estudo Definitivo de Viabilidade, que valida uma vida útil inicial de 14 anos e uma reserva provável de 20 milhões de toneladas de minério. A empresa prevê iniciar a construção em 2027, em Boticas, depois de o projeto ter obtido uma Declaração de Impacte Ambiental favorável condicionada e num contexto de contestação local.

Destaques

  • Savannah finalizou estudo de viabilidade para o projeto lítio do Barroso, confirmando 20 milhões de toneladas em reservas iniciais e produção de 2,56 milhões de toneladas de concentrado de espodumena na primeira fase.
  • O estudo projeta extensão potencial da vida útil da mina para mais de 40 anos, detalhando custos e reforçando validação técnica, económica, ambiental e operacional para investidores, bancos e parceiros comerciais.
  • O projeto deve criar cerca de 500 empregos diretos, mais de 1.000 indiretos, gerar 720 milhões de euros em receitas fiscais para Portugal e receber apoio financeiro até 110 milhões de euros da AICEP.

Estudo valida escala e calendário do projeto

Segundo Jornal de Negócios, citando comunicado da Savannah, o estudo confirma uma reserva provável inicial de 20 milhões de toneladas de minério, nos termos do código JORC, e aponta para a produção de cerca de 2,56 milhões de toneladas de concentrado de espodumena durante a primeira fase de exploração. Esse volume corresponde, segundo a empresa, a matéria-prima suficiente para mais de sete milhões de baterias para veículos elétricos.

O CEO da Savannah, Emanuel Proença, afirma que a publicação dos principais resultados representa mais um marco relevante no desenvolvimento do projeto lítio do Barroso, após vários anos de trabalho com consultores internacionais do setor. A empresa sustenta também que os resultados demonstram competitividade internacional e coloca o ativo acima de mais de metade dos projetos atualmente em operação no mundo.

A Savannah acrescenta que o estudo abre caminho para uma possível extensão futura da vida útil da mina para mais de 40 anos. A conclusão desta fase, segundo a empresa, reforça a validação técnica, económica, ambiental e operacional do projeto junto de investidores, bancos e parceiros comerciais, com maior detalhe sobre custos de construção, operação e produção ao longo da vida útil da mina e da fábrica.

Emprego, apoio público e impacto regional

O projeto deverá gerar cerca de 500 postos de trabalho permanentes na fábrica, nos escritórios e na mina, além de mais de 1.000 empregos indiretos e induzidos. A Savannah estima ainda uma contribuição de aproximadamente 720 milhões de euros em impostos, taxas e royalties para Portugal.

Em 2025, a mina do Barroso é classificada pela União Europeia como projeto estratégico e, em Portugal, a empresa assina um contrato de investimento com a AICEP que prevê apoio financeiro até 110 milhões de euros. A empresa refere que, no último ano, celebra mais de 10 memorandos de entendimento e outros acordos de cooperação com entidades locais nas áreas social, cultural, educativa e económica, e diz que a futura Fundação Savannah deverá reforçar iniciativas de interesse comunitário e desenvolvimento regional.

No plano operacional, a empresa destaca que o modelo de exploração é desenvolvido para cumprir ou superar os requisitos legais portugueses e europeus. Entre as medidas apontadas estão um sistema de armazenamento de rejeitados a seco, sem necessidade de barragem convencional, e um sistema autónomo de abastecimento e reciclagem de água que, segundo a empresa, reduz em mais de 70% o consumo hídrico da operação.

Apesar do avanço técnico e institucional, o projeto continua a ser contestado por moradores, autarcas e ambientalistas. Ainda assim, a Savannah considera que o ativo fica posicionado entre os mais promissores da Europa e pode tornar-se a segunda operação de lítio de larga escala no continente, depois do projeto Keliber, na Finlândia.

Na nossa publicação, já abordámos a presença do Conselho Económico e Social (CES) nas reuniões da ONU em Nova Iorque, no âmbito do Fórum Político de Alto Nível e do segmento de alto nível do ECOSOC, dedicada ao acompanhamento da Agenda 2030 e dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável. O texto destacou o papel da AICESIS e do documento de trabalho focado em ações transformadoras e cooperação internacional para acelerar a implementação dos ODS, reforçando o posicionamento institucional de Portugal no debate sobre desenvolvimento sustentável.

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