José Antonio  Gastelum

ASSIMAGRA defende estratégia nacional para reforçar peso dos recursos minerais na economia europeia

ASSIMAGRA defende estratégia nacional para reforçar peso dos recursos minerais na economia europeia
Portugal deve liderar minerais

A reindustrialização europeia, a transição energética e a procura por maior autonomia estratégica voltam a colocar os recursos minerais no centro da política industrial do continente. Neste contexto, a ASSIMAGRA sustenta que Portugal pode captar mais investimento e elevar o valor acrescentado nacional se ligar o seu potencial geológico a uma estratégia industrial de longo prazo.

Destaques

  • ASSIMAGRA defende uma Estratégia Nacional para os Recursos Geológicos 2035 com prioridades, calendário e responsabilidades claros para reforçar o papel dos minerais na economia europeia.
  • O setor de recursos minerais em Portugal contribui com 1,29% do PIB nacional e regista um impacto económico total superior a 3.735 milhões de euros, segundo estudo da NOVA SBE.
  • A cadeia de valor sustenta mais de 73.800 empregos, tem produtividade 1,58 vezes acima da média nacional e gera 974 milhões de euros em receita fiscal anual.

Summit em Leixões define prioridades do setor

Como relatado pelo Jornal de Negócios, a principal mensagem do StonebyPortugal Summit 2026 é que Portugal reúne condições para assumir um papel mais relevante na economia europeia, desde que converta os seus recursos geológicos em investimento, indústria e valor acrescentado. O encontro, promovido pela ASSIMAGRA em Leixões ao longo de dois dias, junta decisores políticos e empresariais, autarcas, investigadores e especialistas em torno da pedra natural e da indústria mineira.

Miguel Goulão, presidente da ASSIMAGRA, faz um balanço “extremamente positivo” da edição de 2026 e afirma que o evento consegue unir o Stone Day e o Mining Day num propósito comum. Na sua perspetiva, os recursos minerais e a pedra natural constituem um dos pilares mais sólidos da economia portuguesa, num momento em que a competição global por matérias-primas críticas intensifica a pressão sobre a Europa.

No Mining Day, o setor defende uma cadeia de valor mais completa em Portugal, ligando prospeção e extração ao processamento, refinação, transformação industrial, reciclagem, investigação e desenvolvimento de produtos finais. A associação identifica matérias-primas como tungsténio, lítio e cobre como ativos com relevância crescente para baterias, sistemas de energia, eletrónica, cablagem, componentes aeroespaciais e aplicações civis e militares.

A ASSIMAGRA sustenta ainda que o avanço destes projetos depende de processos de licenciamento mais transparentes e céleres, sem aliviar as exigências ambientais nem a participação das comunidades. A associação considera que a Estratégia Nacional para os Recursos Geológicos 2035 deve tornar-se um instrumento operacional, com prioridades, calendário e responsabilidades claramente definidos.

Impacto económico e competitividade industrial

O Stone Day centra-se na sustentabilidade da pedra natural como fator de diferenciação competitiva, com destaque para a quantificação da pegada ambiental, a descarbonização e ferramentas como a StonePRINT. A associação sublinha que a transformação da pedra é essencialmente mecânica e evita processos térmicos intensivos, o que reforça a posição deste material face a alternativas menos sustentáveis nas mesmas aplicações.

Durante o encontro é também apresentado um novo manual técnico dedicado à arquitetura, projeto, dimensionamento, processamento, aplicação, manutenção e ciclo de vida da pedra natural. O objetivo passa por aproximar a indústria dos prescritores, promover novas aplicações estruturais, melhorar a eficiência no uso dos recursos e valorizar internacionalmente a pedra portuguesa.

O peso económico do setor é reforçado por um estudo independente da NOVA SBE, coordenado por Pedro Brinca e João Duarte, que estima uma contribuição de 1,29% para o PIB nacional e um impacto económico total superior a 3.735 milhões de euros. O trabalho indica ainda que, por cada euro de Valor Acrescentado Bruto gerado diretamente pelo setor, são criados 3,08 euros na economia portuguesa, enquanto cada emprego direto sustenta o equivalente a 3,54 empregos no conjunto da economia.

Segundo o estudo, a cadeia de valor dos recursos minerais sustenta mais de 73.800 empregos, apresenta produtividade do trabalho 1,58 vezes acima da média nacional e remuneração média cerca de 1,37 vezes superior. A análise aponta também para 974 milhões de euros de receita fiscal total e para um aumento superior a 123% nas receitas municipais de royalties com a nova Lei de Minas, reforçando o argumento de que o setor pode ganhar maior relevância na economia portuguesa e na competitividade europeia.

A reforma da governação da agência Lusa após a sua passagem para controlo total do Estado, em 2025, foi destacada no relatório anual da Comissão Europeia sobre o Estado de direito, com alertas para potenciais riscos à autonomia editorial. O documento também apontou fragilidades no financiamento da RTP, reforçando o debate sobre como garantir sustentabilidade dos media públicos sem comprometer a independência, num quadro de crescente atenção regulatória europeia.

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