ASSIMAGRA defende estratégia nacional para reforçar peso dos recursos minerais na economia europeia
A reindustrialização europeia, a transição energética e a procura por maior autonomia estratégica voltam a colocar os recursos minerais no centro da política industrial do continente. Neste contexto, a ASSIMAGRA sustenta que Portugal pode captar mais investimento e elevar o valor acrescentado nacional se ligar o seu potencial geológico a uma estratégia industrial de longo prazo.
Destaques
- ASSIMAGRA defende uma Estratégia Nacional para os Recursos Geológicos 2035 com prioridades, calendário e responsabilidades claros para reforçar o papel dos minerais na economia europeia.
- O setor de recursos minerais em Portugal contribui com 1,29% do PIB nacional e regista um impacto económico total superior a 3.735 milhões de euros, segundo estudo da NOVA SBE.
- A cadeia de valor sustenta mais de 73.800 empregos, tem produtividade 1,58 vezes acima da média nacional e gera 974 milhões de euros em receita fiscal anual.
Summit em Leixões define prioridades do setor
Como relatado pelo Jornal de Negócios, a principal mensagem do StonebyPortugal Summit 2026 é que Portugal reúne condições para assumir um papel mais relevante na economia europeia, desde que converta os seus recursos geológicos em investimento, indústria e valor acrescentado. O encontro, promovido pela ASSIMAGRA em Leixões ao longo de dois dias, junta decisores políticos e empresariais, autarcas, investigadores e especialistas em torno da pedra natural e da indústria mineira.Miguel Goulão, presidente da ASSIMAGRA, faz um balanço “extremamente positivo” da edição de 2026 e afirma que o evento consegue unir o Stone Day e o Mining Day num propósito comum. Na sua perspetiva, os recursos minerais e a pedra natural constituem um dos pilares mais sólidos da economia portuguesa, num momento em que a competição global por matérias-primas críticas intensifica a pressão sobre a Europa.
No Mining Day, o setor defende uma cadeia de valor mais completa em Portugal, ligando prospeção e extração ao processamento, refinação, transformação industrial, reciclagem, investigação e desenvolvimento de produtos finais. A associação identifica matérias-primas como tungsténio, lítio e cobre como ativos com relevância crescente para baterias, sistemas de energia, eletrónica, cablagem, componentes aeroespaciais e aplicações civis e militares.
A ASSIMAGRA sustenta ainda que o avanço destes projetos depende de processos de licenciamento mais transparentes e céleres, sem aliviar as exigências ambientais nem a participação das comunidades. A associação considera que a Estratégia Nacional para os Recursos Geológicos 2035 deve tornar-se um instrumento operacional, com prioridades, calendário e responsabilidades claramente definidos.
Impacto económico e competitividade industrial
O Stone Day centra-se na sustentabilidade da pedra natural como fator de diferenciação competitiva, com destaque para a quantificação da pegada ambiental, a descarbonização e ferramentas como a StonePRINT. A associação sublinha que a transformação da pedra é essencialmente mecânica e evita processos térmicos intensivos, o que reforça a posição deste material face a alternativas menos sustentáveis nas mesmas aplicações.Durante o encontro é também apresentado um novo manual técnico dedicado à arquitetura, projeto, dimensionamento, processamento, aplicação, manutenção e ciclo de vida da pedra natural. O objetivo passa por aproximar a indústria dos prescritores, promover novas aplicações estruturais, melhorar a eficiência no uso dos recursos e valorizar internacionalmente a pedra portuguesa.
O peso económico do setor é reforçado por um estudo independente da NOVA SBE, coordenado por Pedro Brinca e João Duarte, que estima uma contribuição de 1,29% para o PIB nacional e um impacto económico total superior a 3.735 milhões de euros. O trabalho indica ainda que, por cada euro de Valor Acrescentado Bruto gerado diretamente pelo setor, são criados 3,08 euros na economia portuguesa, enquanto cada emprego direto sustenta o equivalente a 3,54 empregos no conjunto da economia.
Segundo o estudo, a cadeia de valor dos recursos minerais sustenta mais de 73.800 empregos, apresenta produtividade do trabalho 1,58 vezes acima da média nacional e remuneração média cerca de 1,37 vezes superior. A análise aponta também para 974 milhões de euros de receita fiscal total e para um aumento superior a 123% nas receitas municipais de royalties com a nova Lei de Minas, reforçando o argumento de que o setor pode ganhar maior relevância na economia portuguesa e na competitividade europeia.
A reforma da governação da agência Lusa após a sua passagem para controlo total do Estado, em 2025, foi destacada no relatório anual da Comissão Europeia sobre o Estado de direito, com alertas para potenciais riscos à autonomia editorial. O documento também apontou fragilidades no financiamento da RTP, reforçando o debate sobre como garantir sustentabilidade dos media públicos sem comprometer a independência, num quadro de crescente atenção regulatória europeia.
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