A Semapa entra numa nova fase de expansão depois de alienar a Secil e passar a dispor de mais de mil milhões de euros para reforçar o seu portefólio industrial. O grupo aponta a empresas europeias avaliadas entre 250 e 500 milhões de euros, mantendo uma abordagem disciplinada e sem pressão para fechar negócios.
Destaques
- Após a venda da Secil à Cementos Molins, a Semapa prepara aquisições industriais europeias entre 250 e 500 milhões de euros, focando disciplina de capital.
- A aquisição da espanhola Imedexa por 148 milhões de euros marca o início da expansão internacional, integrando a estratégia de diversificação do portefólio do grupo.
- A Semapa reforçou sua exposição a segmentos de tissue, packaging, capital de risco e hidrogénio, com investimentos recentes na ETSA, Semapa Next, Triangle’s e UTIS.
Estratégia de investimento após a venda
Como noticiou o Jornal de Negócios, a venda da Secil à Cementos Molins deu à Semapa capacidade financeira para avançar com aquisições na Europa, num processo orientado para a diversificação industrial do grupo.Ricardo Pires, CEO da Semapa, surge associado a uma estratégia que privilegia alvos de média dimensão, com avaliações entre 250 e 500 milhões de euros. A intenção é fazer evoluir o portefólio industrial da holding, sem urgência na execução e com foco na disciplina de capital.
O movimento ocorre depois de a Semapa já ter reforçado a presença fora de Portugal com a compra da espanhola Imedexa por 148 milhões de euros, a primeira aquisição direta do grupo no exterior. A operação insere-se numa trajetória mais ampla de expansão e diversificação das participadas.
Rede de gestão e impacto no portefólio
A principal contribuidora para as contas da holding continua a ser a Navigator, liderada por António Redondo, num contexto de transformação estratégica em que os segmentos de tissue e packaging ganham peso. Ao mesmo tempo, a Semapa mantém atividade em áreas como reciclagem alimentar, capital de risco e hidrogénio, ampliando a base industrial do grupo.Entre os desenvolvimentos mais recentes, a ETSA comprou em 2025 a basca Barna, com duas fábricas em Espanha, enquanto a Semapa Next realizou no primeiro trimestre deste ano novos investimentos na CarbonRe e na Sybilion. A Triangle’s, adquirida em 2023, e a parceria UTIS para projetos ligados ao hidrogénio também refletem a aposta em novos segmentos industriais e tecnológicos.
A estrutura de influência em torno de Ricardo Pires inclui administradores da família Queiroz Pereira, gestores das principais participadas e assessores jurídicos e de comunicação ligados a operações relevantes do grupo. Esse enquadramento reforça a capacidade da Semapa para gerir capital, integrar aquisições e reposicionar o portefólio num mercado europeu mais competitivo.
Na nossa publicação anterior, acompanhámos o acordo da EDP para vender um portefólio renovável (eólico e solar) de 166 MWac na Polónia à Public Power Corporation por um enterprise value de 250 milhões de euros, através da EDP Renewables. Explicámos que a transação inclui ativos em operação e uma carteira de projetos com potencial de hibridização, com fecho previsto até ao final de 2026, sujeito a aprovações e outras condições habituais.
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